Avançar para o conteúdo principal

Ainda os Panama Papers

Todos falam dos Panama Papers; todos olham com desdém para aqueles que procuram ocultar dinheiro, fugir aos impostos, etc: todos anseiam por mais um nome na lista negra dos que foram e serão apanhados na investigação. Suíça, Luxemburgo, Estados Unidos e Reino Unido ficam de fora da discussão porque aparentemente os paraísos fiscais e todos os instrumentos opacos pertencem em exclusivo ao Panamá e a algumas ilhas manhosas. 
Suíça, Luxemburgo, EUA e Reino Unido, por onde passa dinheiro sujo, dinheiro que foge de impostos como quem foge da peste e dinheiro que patrocina as actividades criminosas mais abjectas, estão de fora da equação da vergonha. A vergonha fica relegada para as ilhas manhosas e para aquela ponta do iceberg apanhada na curva e que fará parte de uma lista que todos adoram.
Deste modo não abordar o envolvimento central do sector financeiro reputado e tido como sério nos paraísos fiscais é outra forma de hipocrisia. Os maiores bancos internacionais estão envolvidos neste e noutros esquemas, ou como é que o "investimento" dos países ocidentais e teoricamente desenvolvidos acaba nos paraísos fiscais? As tais ilhas manhosas, são ou não são, pelo menos uma boa parte, dependentes dos tais países ocidentais e teoricamente desenvolvidos?

Paradoxalmente, quanto mais se fala dos Panama Papers mais se parece afastar do essencial. Ficaremos pela rama até que outro escândalo tome conta das páginas de jornais, tempos de antena e caixas de comentários na internet.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...