quarta-feira, 13 de abril de 2016

Ainda os Panama Papers

Todos falam dos Panama Papers; todos olham com desdém para aqueles que procuram ocultar dinheiro, fugir aos impostos, etc: todos anseiam por mais um nome na lista negra dos que foram e serão apanhados na investigação. Suíça, Luxemburgo, Estados Unidos e Reino Unido ficam de fora da discussão porque aparentemente os paraísos fiscais e todos os instrumentos opacos pertencem em exclusivo ao Panamá e a algumas ilhas manhosas. 
Suíça, Luxemburgo, EUA e Reino Unido, por onde passa dinheiro sujo, dinheiro que foge de impostos como quem foge da peste e dinheiro que patrocina as actividades criminosas mais abjectas, estão de fora da equação da vergonha. A vergonha fica relegada para as ilhas manhosas e para aquela ponta do iceberg apanhada na curva e que fará parte de uma lista que todos adoram.
Deste modo não abordar o envolvimento central do sector financeiro reputado e tido como sério nos paraísos fiscais é outra forma de hipocrisia. Os maiores bancos internacionais estão envolvidos neste e noutros esquemas, ou como é que o "investimento" dos países ocidentais e teoricamente desenvolvidos acaba nos paraísos fiscais? As tais ilhas manhosas, são ou não são, pelo menos uma boa parte, dependentes dos tais países ocidentais e teoricamente desenvolvidos?

Paradoxalmente, quanto mais se fala dos Panama Papers mais se parece afastar do essencial. Ficaremos pela rama até que outro escândalo tome conta das páginas de jornais, tempos de antena e caixas de comentários na internet.

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