sexta-feira, 29 de abril de 2016

A Europa da hipocrisia

A frase em epígrafe repete-se. São demasiados os episódios em que as instituições europeias e a sempre presente Alemanha mais não conseguem fazer do que transpirar hipocrisia. A UE que convive pacificamente com paraísos fiscais, sobrecarregando os trabalhadores e pequenas empresas, os mesmos que sustentam as infraestruturas e serviços essenciais ao funcionamento das empresas que se multiplicam em paraísos fiscais, é a mesma UE que só conhece uma tecla, gasta e empenada - a tecla da austeridade. 
A música já a conhecemos - é triste e repetitiva. Mas é ao som desta música que a UE, designadamente a Zona Euro, espera que Portugal dance. A UE e Passos Coelho que da sua toca lá vai espreitando para ver se as coisas estão a correr mal, para depois não ter outro remédio que não seja voltar para a toca, agarrar-se à cenoura ou ao telemóvel, lamentando-se do seu fado.
A mesma Europa que sabe que os paraísos fiscais são responsáveis não só pela sobrecarga fiscal dos trabalhadores, olha para o outro lado quando estas práticas insidiosas promovem as desigualdades, desvirtuam a concorrência e minam as democracias, sem que exista qualquer espécie de vantagem económica, excepto, naturalmente, para aqueles que escolhem estes mecanismos. Ainda assim, a UE, designadamente os países que compõem a Zona Euro, com a Alemanha à cabeça, tocam invariavelmente a mesma música, a tal conhecida por austeridade até à morte. Entretanto, fecha-se os olhos, faz-se figas e espera-se que os paliativos do Banco Central Europeu protelem o inevitável fim.
Por cá, Costa resiste. Contrariamente ao seu antecessor que fora da toca onde se encontra hoje rejubilava com cada medida de austeridade. 
E por falar em hipocrisia, o que fazer com entidades públicas que têm aplicações financeiras em paraísos fiscais? Ou seja, o que fazer quando é o próprio Estado a ter dinheiro em offshores? Em Junho do ano passado eram 167 milhões. A legitimidade do Estado cobrador de impostos sai beliscada quando o próprio Estado procura regimes fiscais mais favoráveis.


Sem comentários: