Avançar para o conteúdo principal

Escolher entre precariedade e desemprego

O Presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, afirmou, em entrevista ao Diário Económico, que "mais vale ter trabalho precário do que desemprego", tendo em conta "a situação em que está a economia". A afirmação que conta sempre com uma tentativa de nivelar tudo por baixo e apresentar como alternativa o pior cenário possível, faz de facto escola em Portugal. Segundo António Saraiva só há duas soluções: ou precariedade ou o desemprego.
De resto, já se disse o mesmo aos funcionários públicos, quando se reduziu salários: mais vale essa redução do que o desemprego. Tudo invariavelmente acompanhado pela já habitual complacência.

E por falar em precariedade, o Presidente da CIP crítica Maria Luís Albuquerque, mas encontra uma razão para a conduta da ex-ministra das Finanças e ainda deputada: os políticos ganham "muito mal", o que justifica que vendam a alma ao Diabo por tuta-e-meia. Paralelamente, António Saraiva considera que a remuneração dos políticos deveria ser em função do seu desempenho. Ao que sei o desempenho dos políticos é julgado pelos cidadãos e o expoente máximo desse julgamento tem lugar em eleições. Não será essa a opinião de António Saraiva, mais preocupado em legitimar a precariedade dos trabalhadores e encontrar explicações para a mais inexorável ausência de ética de alguns políticos, do que analisar as razões que justificam o facto do tecido empresarial português ser tão débil.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...

Afinal não há referendo sobre o Tratado de Lisboa

Tudo indica que o primeiro-ministro vai anunciar hoje a ratificação do Tratado de Lisboa por via parlamentar. Fica assim excluída a hipótese de o mesmo tratado ser ratificado por via referendária. Segundo alguns órgãos de comunicação social, o primeiro-ministro não foi imune às opiniões do Presidente da República, mas também de vários líderes europeus que se opõem à possibilidade de referendo, entre os quais Angela Merkel, Sarkozy e Gordon Brown. Recorde-se que foi feita uma espécie de acordo entre os vários líderes europeus no sentido de fazer a ratificação do tratado sem levantar problemas, ou dito de outro modo, o processo de ratificação nos vários Estados-membros deve ser feito através dos parlamentos. De qualquer modo, os cidadãos europeus ficam, mais uma vez, fora das decisões europeias. Ninguém contesta a legitimidade dos parlamentos para se pronunciarem sobre essa matéria específica, o que se trata é da construção europeia e a sua viabilidade a médio e longo prazo. Ora, se por ...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...