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Como?

O texto que se segue foi escrito no dia 15 de Novembro de 2015. Apenas substituí a cidade Paris por Bruxelas e o dia da semana. Tudo o resto se mantém.
Os acontecimentos da passada terça-feira em Bruxelas ultrapassam a força das palavras para os descrever. Atentados terroristas concertados, com o objectivo de espalhar a barbárie, em contextos de rotina, dia-a-dia e quotidiano que oferecem tantas vezes uma falsa sensação de segurança. O Daesh reivindicou os atentados.
Como combater o Estado Islâmico será a pergunta que voltará a assombrar as nossas consciências. Como combater aqueles que vivem uma espécie de realidade distópica?, aqueles que vivem na crença do Dia do Juízo Final e vivem as suas vidas em função desse Apocalipse. Como combater quem não tem medo de morrer? Como fazer frente a quem parece estar numa competição sangrenta com a al-Qaeda?, quem tem como finalidade levar a humanidade para o século VII? Como lutar contra quem pretende viver como o profeta viveu e impor esse modo de vida a todos? Como combater quem marca infiéis e apóstatas para morrer? De que forma podemos lidar com quem pretende purificar o mundo, impondo a sharia a todos? Como lutar contra quem considera a crucificação aceitável? De que modo contrariar quem tem a crença de que o Corão instiga os muçulmanos a combater cristãos e judeus até que estes se subjuguem? Como fazer face àqueles que acreditam que o Califa os levará à vitória antes do fim do mundo? Como lutar contra quem está disposto a aterrorizar o inimigo, através de práticas bárbaras? Como fazer face a quem considera o diálogo apostasia?
Apesar das dificuldades óbvias é possível combater o Daesh que poderá, como muitos analistas afirmam, não ter a durabilidade de outros grupos – a violência, os métodos, o carácter demasiado arcaico afastam todos do Estado Islâmico, incluindo outros apologistas do wahhabismo. Desde logo, pode-se começar por deixar de apoiar financeiramente e militarmente grupos que, mais cedo ou mais tarde, acabam similares a este que agora é discutido, mesmo que essa recusa de financiamento tenha implicações no acesso ao petróleo ou tenha mesmo consequências geo-estratégicas. Seja como for, o tempo que este grupo subsista, seja ela qual for, será sempre tempo demais para a humanidade.

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