quarta-feira, 2 de março de 2016

A “bombar”

Passos Coelho ainda não recuperou do facto de já não ser primeiro-ministro. Não muito longe da patologia, Passos age de duas formas: ou acredita ainda ser primeiro-ministro, sobretudo nos momentos mais agudos da doença, recorrendo à simbologia própria, designadamente ao pin na lapela; ou em momentos também reveladores de pouca lucidez diz o que faria se ainda fosse primeiro-ministro, e para tal recorre à linguagem que considera mais apropriada. Numa escola secundária, afirma que "no governo estaria a bombar para afastar a crise". E assim acalenta a esperança de voltar a ser primeiro-ministro criando a ilusão de que não terá sido ele, Passos Coelho, a desempenhar o cargo nos últimos quatro anos.
Perante uma plateia claramente pouco entusiasmada com a presença ao anterior primeiro-ministro, e os poucos que manifestaram qualquer entusiasmo só o fizeram por se tratar de uma figura que aparece na televisão, Passos, com a pouca naturalidade que lhe está associada, afirma que estaria a "bombar".
Ainda na mesma escola secundária, na Amadora, o único candidato à liderança do PSD falou das desigualdades. É irónico. Se olharmos para os números constatamos, sem quaisquer dificuldades, que as desigualdades cresceram exponencialmente nos anos em que Passos Coelho foi primeiro-ministro. Com efeito, de desigualdades percebe ele.

Pouco resta a Passos Coelho que não seja alimentar a ideia de que ainda é primeiro-ministro ou que está prestes a regressar ao cargo. Que já não é primeiro-ministro já todos percebemos, à excepção de Passos Coelho e de alguns acólitos mais alucinados; quanto à possibilidade de regressar ao cargo, as possibilidades são ínfimas - a solução de esquerda é sólida, graças, paradoxalmente, ao próprio Passos Coelho e a sua reeleição como presidente do partido prende-se apenas com a necessidade do partido estar entregue a alguém, forçosamente a prazo, enquanto se prepara uma outra liderança para fazer frente à solução de esquerda. Passos está a prazo e o seu maior delírio prende-se com a negação deste facto. Não tardará muito para que o inefável anterior primeiro-ministro esteja a “bombar daqui para fora, de uma vez por todas.

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