segunda-feira, 14 de março de 2016

A banca

A banca tornou-se um problema, protegida pela sua importância para as economias e contando com a ausência de supervisão e regulação, o negócio tornou-se irresponsável e não raras vezes criminoso. É por demais evidente que a transformação da banca comercial foi incomensuravelmente lesiva para as economias.
Portugal não fugiu à regra. Depois de anos de endividamento da banca e da existência de administrações pouco recomendáveis, a par da aposta em produtos de "sofisticação financeira", os riscos tornaram-se incomportáveis e o resultado está à vista: o Estado é chamado para injectar dinheiro que não tem, vendo-se forçado a contrair mais dívida, agravando os problemas já irresolúveis do país.
O crime anda tantas vezes de mãos dadas com um sector que tem destruído mais do que construído. A justiça peca por tardia e revela-se incapaz de colocar um ponto final em actividades criminosas vestidas com os melhores fatos que o mercado tem para oferecer.
Entretanto e como se os problemas não fossem já suficientemente graves, desenha-se no horizonte nova bolha financeira cujo impacto nas economias será, segundo alguns economistas, muito maior do que a que aquela que destruiu vidas em 2008. Na Zona Euro, Draghi aposta em novos paliativos.

A crise do subprime ofereceu-nos uma multiplicidade de lições que a classe política e a casta financeira não quiseram aprender. A impunidade e a repetição dos erros mantém-se e aqueles que irão pagar por um novo cataclismo financeiro serão os mesmos que em 2008 viram as suas vidas andar para trás: os cidadãos e entre estes muitos que sucumbem ao populismo bacoco, mas ainda assim bacoco, de Le Pen ou de Donald Trump.

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