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Os mercados

Os mercados, os sacrossantos mercados, serviram, mais uma vez, de pretexto para anunciar o Apocalipse. As televisões abriram os serviços noticiosos com os quatro cavaleiros do Apocalipse, afinal de contas os mercados não haviam gostado do OE2016, estando o seu desagrado a reflectir-se na subida dos juros. Para jornais, televisões e para o ministro das Finanças alemão Schaüble o alvoroço nos mercados tinha dois rostos: António Costa e Mário Centeno.
Questões que podiam ser explicadas com rigor, designadamente o receio dos investidores, simplesmente não existiam. Os problemas com o Deutshbank, o impacto das novas regras de resolução bancária nas expectativas dos investidores ou até o abrandamento da economia mundial não explicavam as oscilações nos mercados. O fundamento era apenas e só as opções político-económicas do Governo Português.
É evidente que a direita, alheia aos interesses nacionais, entrou em delírio com aquilo que considerou ser a vingança dos mercados. Mas a desilusão chegou cedo. Afinal os mercados não se compadeceram com as dores da direita portuguesa e para além de uma recuperação assinalável, os juros da dívida portuguesa baixaram sucessivamente.
Para a desilusão da direita portuguesa ser completa só faltou a agência de notação financeira canadiana DBRS não baixar o rating da dívida portuguesa, o que aconteceu, permanecendo a mesma acima de lixo. Um verdadeiro balde de água fria para a direita assanhada e desorientada. Há semanas para esquecer.



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