Avançar para o conteúdo principal

Mais dois anos?

Passos Coelho prepara-se para mais dois anos à frente do PSD, recandidatando-se ao lugar do Presidente do partido. Não havendo oposição interna o anterior primeiro-ministro de má memória tem tempo para se dedicar à construção de uma nova pessoa. Pelo menos parece ser esse o seu grande objectivo.
De liberal, neo-liberal ou coisa que o valha, Passos procura, entre a mixórdia ideológica do partido, resquícios de social-democracia. Provavelmente não as encontrará, mas pouca diferença faz, porque não é só o poeta que é um fingidor, o político também o é. A única diferença está entre ter sucesso ou não e o líder do PSD não é exímio na matéria, mas a audiência também não será particularmente exigente.
Mais dois anos de Passos Coelho, ou pelo menos até a situação política se deteriorar à esquerda e surgir então um Messias no Partido Social-Democrata. Mais dois anos, ou durante o tempo em que o séquito de Passos Coelho dominar as bases do partido.
A notícia embora nos possa remeter para a náusea, de resto mais duas horas de Passos Coelho já parece tormento a mais, quanto mais dois anos, a verdade é que a notícia não será eventualmente assim tão negativa quanto isso. E porquê? Porque enquanto Passos Coelho andar por aí, a esquerda dificilmente deixará de estar unida. O elo de ligação é precisamente o anterior primeiro-ministro.

Sim, dois anos são uma possibilidade. Resta no entanto saber como será a Presidência de Marcelo Rebelo de Sousa que, como se sabe, não morre de amores por Pedro Passos Coelho. A ver vamos se Marcelo não forçará uma outra liderança no PSD, o que poderia fragilizar a união das esquerdas.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

ADSE: uma guerra injusta

Esta guerra entre Estado e empresas no sector da saúde, com as últimas a rasgarem contratos com a ADSE é profundamente injusta para os beneficiários que, recorde-se, pagam inteiramente este subsistema de saúde. Mais: as razões invocadas por essas empresas, designadamente pelo Mello Saúde e Luz esbarram na lei e denotam uma ganância que não se justifica nem num contexto de capitalismo selvagem.
A ADSE reclama 38 milhões de euros com base num parecer da Procuradoria-Geral da República, os privados que se julgam acima da lei apoiam-se na chantagem e rasgam contratos, manifestando um desprezo abjecto pela saúde das pessoas - o lucro, o sacrossanto lucro, fala sempre mais alto. E quanto às tabelas de preços, a gula sempre foi apanágio destas empresas, por conseguinte não se encontra qualquer razão de espanto.
Ora, o que esta guerra nos mostra é que a chantagem também pode ser cartelizada e que o Estado tem que ter cuidado extremo nas relações que estabelece com estas empresas, …

O Diabo não vem aí, o Diabo já cá está

Sob a ameaça de recessão, alguns comentadores decidiram ressuscitar a imagem do Diabo tão apregoada pelo malogrado (politicamente) Pedro Passos Coelho. Segundo o antigo primeiro-ministro o Diabo estava a caminho e seria a ruína da tão odiada geringonça. Note-se que este profecia do Diabo era mais um desejo do que propriamente mera futurologia. Agora e perante uma Alemanha a roçar perigosamente a recessão, perante as restantes economias europeias com um crescimento económico perto do zero, face ao resto do mundo, com a China à cabeça, a crescer muito menos e com uma guerra económica entre EUA e China como pano de fundo, desenterra-se o Diabo. Na verdade, o Diabo não precisa que as marionetas do costume o desenterrem. Na verdade, ele já anda aí e há muito tempo, chama-se capitalismo. Ele não vem, ele já cá está, entre os crescimentos e as crises, entre os crescimentos cada vez mais irrisórios e à custa do próprio planeta, mas com ares de verdadeira recuperação por se seguirem a crises pr…