Avançar para o conteúdo principal

Explicações sobre o Banif

Banif, mais um buraco, mais uma trapalhada, mais um banco a ir directamente ao bolso dos cidadãos. O que aconteceu ao Banif merece obviamente explicações, a começar pela explicações da ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que recebeu uma proposta de Bruxelas, optando por assobiar para o lado. A questão é que proposta da Comissão Europeia poderia permitir a recuperação do dinheiro do Estado entretanto injectado no banco e seria naturalmente menos onerosa para os contribuintes.
Com particular veemência, a Comissária Europeia chegou ao ponto de pedir ao Governo português que apresentasse um plano de reestruturação, até Março de 2015, sob pena de abrir uma investigação "aprofundada" ao Banif.
Estou longe de saber se o actual Governo fez tudo que podia ser feito para lesar o menos possível os contribuintes, mas parece-me cada vez mais evidente que o anterior Governo podia ter feito muitos mais para resolver o problema. Resta agora saber por que razão não o fez? Terá sido para não manchar a saída limpa? Terá sido por se tratar de ano de eleições legislativas?
Não deixa de ser curioso verificar que o mesmo Governo que norteou a sua acção política com base num respeito cego pelas instituições europeias, tenha sido tão rebelde relativamente a essas mesmas instituições no que diz respeito ao caso Banif.

Aguardam-se explicações da ex-ministra das Finanças. Uma coisa é desde já certa: a saída foi tudo menos limpa.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...