Avançar para o conteúdo principal

Desunião da esquerda

Mais uma vez assistimos à desunião das esquerdas, desta feita numas eleições que alguns parece quererem menosprezar. O erro é evidente e a fazer fé nas sondagens teremos um Marcelo durante 5 anos. Tudo graças à mediatização de uma figura com pouco substância e muitos sorrisos, mas sobretudo devido à já tradicional desunião das esquerdas.
Parece também evidente que os partidos de esquerda estão mais interessados em marcar posição do que em ter um Presidente substancialmente diferente daquele que ocupou o Palácio de Belém na última década, com todos os malefícios inerentes. Esta tentativa de marcar posição pode também ser consequência da solução de esquerda que governa o país (PS no Governo com apoio parlamentar dos restantes partidos de esquerda). A ideia parece ser: juntos até certo ponto, mas não tão juntinhos assim.
Dir-se-á que todos os partidos da esquerda querem manter a sua identidade incólume, como se os apoios e o diálogo pudessem ferir de morte essa identidade. Seja como for, escolheu-se o pior dos caminhos: a desunião pode resultar na eleição do candidato da direita, com a agravante de se tratar de alguém que faz da dissimulação uma forma de sobrevivência.
O esquerda acabará por pagar, como sempre pagou, a factura da sua fragmentação e figuras como Maria de Belém acabarão relegadas para a sua habitual insignificância. Entretanto os estragos estão feitos. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...