segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Herança

A verdadeira herança deixada por PSD/CDS pode ser um novo resgate; uma herança que não pode ser repudiada pelo PS e que, bem pintada pela comunicação social, pode dar um forte contributo para a fragilização do novo Governo. Com efeito, a governação encabeçada pela dupla Passos/Portas pode resultar num segundo resgate.
Senão vejamos: depois de BPP e BPN com custos ainda por apurar, juntam-se BES, Banif, provavelmente Montepio e Caixa Geral de Depósitos (CGD). Em bom rigor, em que estado está a CGD? E que história é essa de empréstimos da CGD à Parvaloren que gere os prejuízos do BPN? Do dinheiro emprestado quanto já foi pago? Será tudo devolvido? E se não for? E o BES? E os quase 5000 milhões de euros? Não será seguramente Sérgio Monteiro, antigo secretário de Estado do Governo de Passos Coelho, incumbido de vender o banco de má memória, a salvar a honra do convento. Sérgio Monteiro só tem, de resto, uma certeza: 30 mil euros de remuneração mensal.
E o Banif? E os 700 milhões de empréstimo do Estado? A venda ao Santander implica a perda desse valor.
E o Montepio?
E a CGD?
E o contexto? Uma economia que se recusa crescer, déficit acima do previsto, dívida impagável.
Assim, seremos todos confrontados com a onerosa herança da dupla Passos/Portas. O resultado já é em parte conhecido: país empobrecido, apático e profundamente desigual a que se pode juntar agora a perspectiva de um novo resgate. É a Passos e a Portas que devemos agradecer.

Nota: Talvez a existência (artificial) de apenas um bom aluno seja suficientemente dissuasor de tal possibilidade de um novo resgate. A manutenção dessa ideia de bom aluno (basta a ideia, a realidade torna-se secundária) seja de facto suficiente para que um resgate se cinja apenas à banca ou, num cenário mais optimista, nem se concretize.

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