Avançar para o conteúdo principal

É assim que se trabalha

O anterior governo andou meses sem fazer o seu trabalho. É precisamente isso que se depreende da notícia que dá conta de não existir qualquer trabalho produzido pelo Governo de Passos Coelho em matéria de Orçamento de Estado, nem sequer o trabalho relativo a opções que estão fora das opções políticas. Ou seja até o trabalho administrativo ficou por fazer: despesas correntes, despesas salariais, perspectivas de investimento, etc. 
Assim sendo, prevê-se demoras na entrega do Orçamento de Estado.
O Executivo do rigor, invariavelmente coadjuvado pelo pensamento único e por uma falsa ideia de responsabilidade, ficou afinal, e uma vez mais, mal na fotografia. O Executivo que sempre atribuiu todos os males deste mundo e do outro a José Sócrates deixou afinal pontas soltas e um país longe, muito longe, do cenário idílico pintado sobretudo em campanha eleitoral. Deixou um país com uma economia estagnada, em perigo de não atingir as metas do défice estipuladas para este ano; deixou um país com uma dívida incomensurável; com elevados níveis de desemprego, apesar de tanta cosmética; deixou um país empobrecido, repleto de precários e baixos salários; deixou um país sem esperança num futuro melhor. O governo de Passos Coelho nem o trabalho administrativo deixou feito: não entregou o esboço do Orçamento de Estado às instâncias europeias e nem sequer permitiu que o próximo Orçamento de Estado pudesse ser elaborado com a celeridade que se exige.

Recorde-se: este foi o Executivo da responsabilidade e do rigor e os outros é que eram os maus da fita. Cómico, se não fosse trágico.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecências, vai fa

Outras verdades

 Ontem realizou-se o pior debate da história das presidenciais americanas. Trump, boçal, mentiroso, arrogante e malcriado, versus Biden que, apesar de ter garantido tudo fazer  para não cair na esparrela do seu adversário, acabou mesmo por cair, apelidando-o de mentiroso e palhaço.  Importa reconhecer a incomensurável dificuldade que qualquer ser humano sentiria se tivesse que debater com uma criança sem qualquer educação. Biden não foi excepção. Trump procurou impingir todo o género de mentiras, que aos ouvidos dos seus apoiante soam a outras verdades, verdades superiores à própria verdade. Trump mentiu profusamente, até sobre os seus pretensos apoios. O sheriff de Portland, por exemplo, já veio desmentir que alguma vez tivesse expressado apoio ao ainda Presidente americano. Diz-se por aí que Trump arrastou Biden para a lama. Eu tenho uma leitura diferente: Trump tem vindo a arrastar os EUA para lama. Os EUA, nestes árduos anos, tem vindo a perder influência e reputação e Trump é o ma

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa