Avançar para o conteúdo principal

É assim que se trabalha

O anterior governo andou meses sem fazer o seu trabalho. É precisamente isso que se depreende da notícia que dá conta de não existir qualquer trabalho produzido pelo Governo de Passos Coelho em matéria de Orçamento de Estado, nem sequer o trabalho relativo a opções que estão fora das opções políticas. Ou seja até o trabalho administrativo ficou por fazer: despesas correntes, despesas salariais, perspectivas de investimento, etc. 
Assim sendo, prevê-se demoras na entrega do Orçamento de Estado.
O Executivo do rigor, invariavelmente coadjuvado pelo pensamento único e por uma falsa ideia de responsabilidade, ficou afinal, e uma vez mais, mal na fotografia. O Executivo que sempre atribuiu todos os males deste mundo e do outro a José Sócrates deixou afinal pontas soltas e um país longe, muito longe, do cenário idílico pintado sobretudo em campanha eleitoral. Deixou um país com uma economia estagnada, em perigo de não atingir as metas do défice estipuladas para este ano; deixou um país com uma dívida incomensurável; com elevados níveis de desemprego, apesar de tanta cosmética; deixou um país empobrecido, repleto de precários e baixos salários; deixou um país sem esperança num futuro melhor. O governo de Passos Coelho nem o trabalho administrativo deixou feito: não entregou o esboço do Orçamento de Estado às instâncias europeias e nem sequer permitiu que o próximo Orçamento de Estado pudesse ser elaborado com a celeridade que se exige.

Recorde-se: este foi o Executivo da responsabilidade e do rigor e os outros é que eram os maus da fita. Cómico, se não fosse trágico.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...