Avançar para o conteúdo principal

A estratégia da oposição

Sendo que quando falamos de oposição estamos a falar naturalmente de PSD e CDS. Depois da euforia efémera, rapidamente esbatida com os resultados eleitorais que inviabilizaram a maioria absoluta; depois ainda do desespero, mostrando-se dispostos a tudo para chegar ao poder, inclusivamente ceder às vontades do PS; e, finalmente, depois da realidade lhes cair em cima com a "indicação" de António Costa para primeiro-ministro, ficou, na direita, o ressentimento e o discurso extremado que, na verdade, os acompanha desde a primeira hora.
Essa estratégia do discurso extremado e do ressentimento pueril desgasta a oposição. Falar em ilegitimidade ou em "golpada" para além de ser um exagero de retórica, mostra um conjunto de pessoas desorientadas, estranhamente ofendidas pela democracia.
A estratégia da oposição mostra apenas que PSD e CDS têm muito pouco para oferecer aos cidadãos. Até quando estarão as pessoas dispostas a ouvir tanta asneira de deputados e responsáveis pelos partidos? Até parte dos comentadores habituais já abandonaram a estratégia de virgens ofendidas, precisamente por perceberem que esse mesmo discurso desgasta quem o profere.
Sem argumentos e com uma realidade adversa que se poderá tornar ainda mais adversa (BES, sistema financeiro português, cumprimento ou não da meta do défice para este ano – tudo responsabilidades do anterior Governo), PSD e CDS vão definhando até chegarem os esperados acertos de contas e redefinições, designadamente no PSD, com o expectável surgimento de um nome forte (ou nem tanto) que coloque em causa a liderança anódina de Passos Coelho, com consequências no CDS, que dificilmente se poderá manter tão próximo do PSD com outra liderança diferente da de Passos Coelho. Em bom rigor, que utilidade é que um partido esvaziado de importância como o CDS, poderá ter para o PSD?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...