segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Cenários longe da tragédia anunciada

Já por aqui abordámos as potenciais dificuldades que o Governo de António Costa enfrentará. Está na altura de exercitarmos uma tentativa de vislumbre dos pontos positivos que podem favorecer o Governo que agora inicia funções.
Os acordos entre as esquerdas e a sua necessária solidez são um factor essencial para a estabilidade de futuro deste Governo. Os primeiros sinais são positivos - a união no Parlamento existe, quer em matérias de adopção ou o fim dos exames no quarto ano. Sendo certo que os principais desafios estão ainda por ser ultrapassados, não deixa de ser relevante o consenso já revelado pelas esquerdas - o que significa um aspecto positivo e determinante. Este cenário é também interessante para a própria democracia: um governo que necessita de constante negociação; um Parlamento com uma importância que havia sido entretanto esquecida.
Por outro lado, os factores externos: a começar pelas baixas taxas de juro. 2015 foi um ano excepcional e apesar da volatilidade inerente a estas questões, tudo indica que a tendência se manterá. E o BCE não tem emitido sinais que indiciam alterações às suas políticas e pelo menos até ao momento não há sinais negativos.

Por outro lado ainda, a procura por parte do governo francês e italiano de um alívio no garrote orçamental pode eventualmente ser uma boa notícia para Costa e para Portugal. Aliás, será neste e noutros aspectos europeus que importa ter representantes políticos nacionais que compreender e procuram o melhor para o seu país. De resto, Passos Coelho e companhia não o compreenderam, nem nunca fizeram essa procura. Bem pelo contrário, sempre preferiram o colo de Shaüble, mesmo que isso implicasse consequências desastrosas para o nosso país.

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