Avançar para o conteúdo principal

Vitórias e derrotas

É natural que depois de um período eleitoral se discuta quem venceu e quem saiu derrotado. Todavia, o resultado das eleições legislativas de domingo traduz-se mais em vencidos do que em vencedores.
É também evidente que a coligação PàF venceu as eleições, na medida em que foi a solução política mais votada, mostrando assim que o medo continua a fazer as suas vítimas. No entanto, a vitória da coligação foi também e paradoxalmente uma derrota: a perda da maioria absoluta pode inviabilizar uma solução política ou pelo menos condicionar a governação. Será curioso verificar como é que expoentes máximos da arrogância vão passar o tempo a pedinchar compromissos.
Quanto ao Partido Socialista só se pode falar de derrota. Depois de anos de austeridade cavalar, a inépcia dos responsáveis do partido, aliada à presença física, e não só, de figuras que já não merecem confiança por parte do eleitorado, e ainda a tal preponderância do medo, contribuiu para uma derrota sem refutação possível. Resta ao PS o consolo de ver a coligação perder a maioria absoluta.
Se queremos falar de vitória só o podemos fazer fazendo alusão ao resultado do Bloco de Esquerda que conseguiu um feito histórico provando que o anúncio da sua morte havia sido claramente exagerado. Importa fazer também uma referência ao Partido dos Animais e da Natureza que conseguiu a proeza de eleger um deputado – também este um feito histórico.

O resultado destas eleições é, em suma, constituído por uma multiplicidade de derrotas e pela incerteza que a nova constituição do Parlamento gera. Confesso ter dúvidas que a coligação sem maioria absoluta possa governar por mais quatro anos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...