sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Pluralismo

Existe quem advogue que a proliferação de novos partidos terá ajudado à dispersão de votos, facto que se terá verificado mais à esquerda. Nesta afirmação está implícita uma crítica ao surgimento desses novos partidos, considerados pouco estruturados e sem futuro. Uma espécie de empecilho.
Ora, partindo desse pressuposto o que é que fazemos ao pluralismo que enriquece as democracias? Ou esse pluralismo só se justifica quando falamos dos 5 partidos com assento parlamentar? E o que dizer daquela ideia, também ela profusa, de que os partidos são demasiado herméticos, distantes dos cidadãos, e que fazia falta o surgimento de novos partidos?
Por outro lado, insiste-se em colocar todos os partidos que não têm assento parlamentar no mesmo saco, como se se tratasse de um conjunto de partidos que apenas nasceram para ser empecilhos e para eventualmente recolherem dividendos oriundos dos votos.
E, finalmente, há quem se regozije com o falhanço desses partidos, designadamente do Livre/Tempo de Avançar. É um facto que o Livre/TdA não conseguiu atingir os seus objectivos. Todavia, todo o trabalho feito em torno de um novo projecto político não será em vão. Foram muitos os que de forma contundente participaram num projecto que tentou levar a política aos cidadãos, convidando-os a participar como nenhum outro partido alguma vez o fez. O resultado desses contributos foram notáveis e traduziram-se num programa de esquerda que poderia representar um importante contributo na Assembleia da República. Não foi assim, mas o Livre/Tda não merece conhecer o seu fim, sobretudo porque contrariamente a tantos outros procurou chamar os cidadãos para a participação política. Facto que não merece ser desprezado, sobretudo numa altura em que todos se queixam do fosso entre políticos e cidadãos.
Vem também isto a propósito da notícia que dá conta das dificuldades financeiras do Livre/Tempo de Avançar. Com efeito, a cidadania vive dissociada da democracia e qualquer exercício é condenado. Somos exímios no campo do cinismo e da crítica pela crítica. Cidadania é, para muitos de nós, estar à frente da televisão enquanto se coça as partes baixas ou, em alternativa, fazer críticas destrutivas no Facebook com uma mão, deixando a outra livre para coçar as já referidas partes baixas.


Declaração de interesses: a autora deste Blogue é subscritora do Livre/Tempo de Avançar.

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