sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Antes de o ser, já o era...

Antes mesmo de existirem quaisquer certezas quanto a uma solução política de esquerda - Partido Socialista com apoio parlamentar da CDU e do BE - já o PS havia sido condenado. Sem dó, nem piedade, dentro e fora do partido. A ideia de quem ganha é deve formar governo, mesmo em minoria, pese embora exista uma solução maioritária - ideia baseada numa tradição - é uma visão exígua da correlação de forças que deve ser intrínseca à própria democracia. Tudo indica que o Presidente da República vai manter-se fiel à tradição e indigitar Passos Coelho, mesmo correndo o sério risco de ver o programa da coligação chumbado no Parlamento, ignorando PS/BE/CDU e arrastando o país para longos meses de paralisação. Para um dos maiores arautos da estabilidade, as contradições são incomensuráveis.
Antes de o ser, o PS já era condenado ao fracasso. Os preconceitos e a ignorância aliadas a uma acentuada ausência de cultura democrática vão diminuindo o país que parece satisfeito com a mais inexorável ausência de esperança, contrariando a ideia de que "numa sociedade bem ordenada, os homens não se limitariam a viver bem, mas lutariam por viver melhor do que no passado" (Tony Judt) - em bom rigor, ainda estamos longe de ser uma sociedade bem ordenada, vivemos em piores condições e muito menos lutamos por viver melhor do que no passado. A ideia de que procuramos mais e melhor - ideia indissociável do próprio conceito de futuro - cai assim por terra. Por aqui preferimos sobreviver, em condições amiúde humilhantes. Não nos livramos da nossa pequenez. Não questionamos, não lutamos, preferimos a resignação e destilamos ódios e preconceitos nas redes sociais. A verdade é que uma sociedade sem pensamento crítico é uma sociedade morta sem o saber. E sem pensamento crítico dificilmente existirá uma democracia consolidada.

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