Avançar para o conteúdo principal

Sem palavras

A Europa transformou-se numa imensa vergonha, vendida aos interesses financeiros, esqueceu os princípios que a caracterizam, designadamente a solidariedade. A crise financeira desencadeada pela finança e posteriormente transformada em crise das dívidas soberanas mostrou uma Europa dominada por um país e pelos interesses financeiros. A vergonha já estava instalada.
Agora a Europa confronta-se com a crise dos refugiados. Depois de ter um papel importante na instabilidade criada em países como a Síria e Líbia e de ter amiúde desempenhado um papel infeliz noutras regiões do mundo, designadamente, em África, a Europa é confrontada novamente com a sua própria incapacidade. Alguns Estados manifestam a não aceitação desses refugiados, dificultando a sua passagem; outros manifestam confusão, e outros ainda, em menor número, parecem dispostos a aceitar aqueles que procuram salvar as suas vidas e a dos seus, amiúde por motivos que vão para além da dita solidariedade.
Entretanto, muitos refugiados nem chegam à Europa. O drama torna-se atroz quando crianças dão à costa sem vida.
Aqueles que julgam não ter qualquer responsabilidade nesta atrocidade que mais uma vez assola a Europa, desenganem-se. Somos responsáveis, os nossos governos são responsáveis, seja na famigerada cimeira dos Açores, seja onde for.

A desumanização invadiu novamente a Europa, os partidos que defendem a xenofobia têm os seus apoiantes que medram a cada dia que passa e a Europa, ridícula, chafurda na mais gritante ignomínia. Daqui por 15 dias lá se fará uma cimeira para discutir o que fazer com os refugiados. Se se tratasse da dívida de um país, a cimeira seria extraordinária, na hora e com a maior das urgências.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...