Avançar para o conteúdo principal

O que sobressai de uma campanha pobre

Desta campanha eleitoral composta, em larga medida, por personagens medíocres, sobressai a lata dos membros da coligação que acusam o PS de tudo e mais alguma coisa como se nos últimos anos o país tivesse sido governado por alguma figura maléfica que eles - coligação - desconhecem. A lata (é mais do que despudor, descaramento, e mesmo lata, acompanhada por uma inexorável falta de vergonha) é tanta que se torna impossível enumerá-la, mas fica, a título de exemplo, a questão das pensões e as acusações ao PS, já não para falar da ideia de que o Governo repôs as pensões, quando foi o Tribunal Constitucional a repor a legalidade e subsequentemente as pensões.
Desta campanha fica a incapacidade do PS. António Costa tem ainda algum tempo para chegar aos indecisos que se estima atinjam os 20 porcento. O raciocínio é simples: se os indecisos (talvez com o peso do voto útil) caírem para o lado socialista - muito mais provável do que caírem para o lado da coligação - então o resultado poderá ser uma verdadeira surpresa. Não aprecio exercícios de futurologia, mas parece-me que esse cenário é plausível e que resultará numa vitória significativa do PS e, eventualmente, em resultados positivos para os partidos mais à esquerda do PS. Com franqueza não me parece que os indecisos votem na coligação, quem vota na coligação já está decidido há muito. Porventura será também sobre eles – indecisos - que recairá a pressão do voto útil. Parece-me plausível que muitos sucumbirão ao peso do voto útil.
Mas o que sobressai mais nesta campanha é a pobreza de ideias. E neste particular temos muito a agradecer aos partidos da coligação sempre interessados em discutir tudo menos ideias. De resto, não podia ser de outra forma: a parcimónia das ideias é evidente e as poucas que restam vão na prossecução do caminho do empobrecimento - facto que não fica bem em plena campanha eleitora.
No cômputo geral, e a uma semana de eleições, resta-me lamentar o que tem sobressaído nesta campanha e esperar pelas surpresas na noite de eleições, em que a maior derrota será a das sondagens.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...