quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O debate numa noite cómica

O debate – o único que colocou frente a frente Pedro Passos Coelho e António Costa – correu manifestamente mal a Passos Coelho, mesmo que este tenha recorrido ao passado para voltar a assustar os cidadãos. Importa referir que se trata da mesma pessoa que fez toda uma campanha eleitoral precisamente a mentir, alguém que, por conseguinte, tem todo um passado de mentira. E também não será exagero de retórica referir que Passos Coelho é a mesma pessoa que insiste no passado do outros mas que, simultaneamente, aniquilou a ideia de futuro do país, percorrendo um caminho que foi uma verdadeira descida aos infernos.
Ainda relativamente ao passado, o tiro acabou por sair pela culatra. Costa respondeu bem, atacando, lembrando as próprias responsabilidades do PSD e CDS na questão da troika e, sobretudo, relembrando o ensejo de Passos Coelho aquando precisamente da vinda da troika e da possibilidade de ir mais longe do que estava previsto.
Passos Coelho, tal como Portas, sentiu a angústia de ter um debate a fugir-lhe das mão e , tal como o seu parceiro de coligação, ainda procurou chamar à colação o Syrisa, embora em menor dose. O desespero foi francamente confrangedor.
Mas o debate também teve os seus momentos cómicos como aquele em que se refere que o ainda primeiro-ministro promete colocar a economia portuguesa entre as dez mais competitivas do mundo ou sempre que ouvimos Passos Coelho discutir Segurança Social: “A Segurança Social não é para ser alvo de brincadeiras” diz António Costa àquela mesma pessoa que se furtou à responsabilidade de pagar as suas contribuições à aludida Segurança Social. Ou ainda o momento em que Pedro Passos Coelho afirma que “os portugueses têm todas as razões para desconfiar” do PS – isto dito, novamente, por quem fez toda uma campanha eleitoral a mentir, não perdendo esses maus hábitos ao longo destes quatro anos.
António Costa surpreendeu pela positiva: mostrou-se confiante, preparado e tomou desde logo a iniciativa do debate. Paralelamente, conseguiu, de forma simples, proferir algumas frases que deixaram o ainda primeiro-ministro visivelmente incomodado – a analogia que envolveu os lesados do BES e os trabalhadores (no contexto de propostas para a Segurança Social) ambos entregues à especulação, se o PaF vencer as eleições, é um bom exemplo. Recorde-se que a poucos metros do Museu da Eletricidade – palco do debate – estavam precisamente alguns lesados do BES a protestar.
Cereja no topo do bolo, embora fora do já referido Museu da Eletricidade, é ver Miguel Relvas na TVI24 a defender a posição de Passos Coelho.

No cômputo geral, foi uma noite verdadeiramente cómica. 

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