segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Catarina Martins

Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, tem sido, de longe, quem melhor tem discutido as questões mais pertinentes ao longos dos debates. Mostrando ser a líder mais bem preparada para discutir com a profundidade que, diga-se em abono da verdade, possível nos actuais formatos televisivos. Primeiro com Paulo Portas e depois com Pedro Passos Coelho. No primeiro, Portas não teve argumentação para fazer face à sua adversária; com Passos Coelho Catarina Martins confrontou o ainda primeiro-ministro com as mentiras em torno do BES, a insustentabilidade da dívida ou a famigerada questão do “plafonamento” na Segurança Social. A propósito de Segurança Social, continua a ser particularmente difícil não rir quando Passos Coelho profere essas palavras: “Segurança Social”. Assim como terá sido difícil controlar esses mesmos risos quando Passos Coelho falou no BPN e Catarina Martins respondeu com Dias Loureiro e os elogios de Passos Coelho a um dos principais responsáveis pelo BPN – o que poderá ser interpretado como uma verdadeira chapada na cara de alguém que já perdeu a vergonha.
Passos Coelho insistiu nas já habituais falácias: falácia n.º 1 – em 2011 não havia dinheiro para pagar salários e pensões; falácia n.º 2 – a recuperação da economia, que é na verdade anódina e longe de chegar às pessoas.
Catarina Martins, por sua vez, salientou, uma vez mais, que o PSD/CDS escamoteiam as contas do seu programa com o objectivo de esconder o jogo. De resto, depois de Passos Coelho vencer umas eleições com base em mentiras, a estratégia passa agora por esconder o jogo. Com efeito, ninguém explica como é que o país vai continuar a pagar a dívida, se já quase tudo foi privatizado e se não existirão cortes em salários, pensões e Estado Social.
A verdade é outra: depois de eleições, sobretudo com uma vitória do PaF, teremos mais austeridade, privatização do resta (CGD e água), a continuação da transformação social do país, continuação também do enfraquecimento da democracia e consolidação do clima de obscurantismo que assolou o país nos últimos quatro anos.
Catarina Martins havia sido considerada por muitos como sendo uma fraca líder e agora parece surpreender muitos que acreditam numa súbita transformação, quando Catarina Martins esbarrou no escrutínio condicionante da comunicação social. Em rigor, a comunicação social, em particular a televisão, selectivamente mostrava uns escassos minutos da porta-voz do Bloco de Esquerda, cuidadosamente escolhidos e editados, com o propósito de alimentar a ideia de que Catarina Martins, à semelhança de outros líderes também de esquerda, não conseguia ir além da “cassete”.

Catarina Martins não se transformou subitamente, a diferença é que agora a comunicação social, muito particularmente a televisão, não consegue esconder esta liderança. E curiosamente passa-se exactamente o contrário com Passos Coelho: as televisões não conseguem dissimular a mediocridade de Pedro Passos Coelho.

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