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Afinal... não é bem assim

O défice afinal disparou para os 7,2 por cento para o ano de 2014, um valor a rondar o dobro previsto. A razão? Banco Espírito Santo. A notícia no mínimo embaraçosa, sobretudo em plena campanha eleitoral, acabou por ser desvalorizada pelo ainda primeiro-ministro recordando que a demora na venda do Novo Banco afinal traz vantagens para o Estado português pela razão dos juros que o país arrecada com o empréstimo.Mas à semelhança de tudo o resto, a verdade não é bem aquela proferida pelo ainda primeiro-ministro. Em rigor, Passos Coelho ter-se-á esquecido de referir um pormenor: o fundo de resolução paga juros ao tesouro, o que não representa qualquer ganho para o Estado. Paralelamente o dinheiro em causa corresponde a uma parcela do empréstimo da troika e o que representa pagamento de juros por parte do Estado português, o que significa que os contribuintes ficarão mais de uma década a pagar esse empréstimo. Assim se percebe que o assunto não merece ser desvalorizado pelos membros da coligação, antes pelo contrário seria interessante recordar a forma célere e limpa como se injecta dinheiro em bancos falidos em oposição à ideia de que não há dinheiro para Estado Social e salários, procedendo-se a cortes cegos e profundamente injustos. E se esta não é razão suficiente para colocar a cruzinha noutro sítio que não o da coligação PàF então não sei o que será.

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