O
défice afinal disparou para os 7,2 por cento para o ano de 2014, um
valor a rondar o dobro previsto. A razão? Banco Espírito Santo. A
notícia no mínimo embaraçosa, sobretudo em plena campanha
eleitoral, acabou por ser desvalorizada pelo ainda primeiro-ministro
recordando que a demora na venda do Novo Banco afinal traz vantagens
para o Estado português pela razão dos juros que o país arrecada
com o empréstimo.Mas à semelhança de tudo o resto, a verdade não
é bem aquela proferida pelo ainda primeiro-ministro. Em rigor,
Passos Coelho ter-se-á esquecido de referir um pormenor: o fundo de
resolução paga juros ao tesouro, o que não representa qualquer
ganho para o Estado. Paralelamente o dinheiro em causa corresponde a
uma parcela do empréstimo da troika e o que representa pagamento de
juros por parte do Estado português, o que significa que os
contribuintes ficarão mais de uma década a pagar esse empréstimo.
Assim se percebe que o assunto não merece ser desvalorizado pelos
membros da coligação, antes pelo contrário seria interessante
recordar a forma célere e limpa como se injecta dinheiro em bancos
falidos em oposição à ideia de que não há dinheiro para Estado
Social e salários, procedendo-se a cortes cegos e profundamente
injustos. E se esta não é razão suficiente para colocar a cruzinha
noutro sítio que não o da coligação PàF então não sei o que
será.
O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...
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