O
défice afinal disparou para os 7,2 por cento para o ano de 2014, um
valor a rondar o dobro previsto. A razão? Banco Espírito Santo. A
notícia no mínimo embaraçosa, sobretudo em plena campanha
eleitoral, acabou por ser desvalorizada pelo ainda primeiro-ministro
recordando que a demora na venda do Novo Banco afinal traz vantagens
para o Estado português pela razão dos juros que o país arrecada
com o empréstimo.Mas à semelhança de tudo o resto, a verdade não
é bem aquela proferida pelo ainda primeiro-ministro. Em rigor,
Passos Coelho ter-se-á esquecido de referir um pormenor: o fundo de
resolução paga juros ao tesouro, o que não representa qualquer
ganho para o Estado. Paralelamente o dinheiro em causa corresponde a
uma parcela do empréstimo da troika e o que representa pagamento de
juros por parte do Estado português, o que significa que os
contribuintes ficarão mais de uma década a pagar esse empréstimo.
Assim se percebe que o assunto não merece ser desvalorizado pelos
membros da coligação, antes pelo contrário seria interessante
recordar a forma célere e limpa como se injecta dinheiro em bancos
falidos em oposição à ideia de que não há dinheiro para Estado
Social e salários, procedendo-se a cortes cegos e profundamente
injustos. E se esta não é razão suficiente para colocar a cruzinha
noutro sítio que não o da coligação PàF então não sei o que
será.
Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página. Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...
Comentários