quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A política é uma decepção

A frase ganha novo peso se acrescentarmos: em Portugal. Todavia e de um modo geral, a política é amiúde uma desilusão, sobretudo para quem pugna pelos princípios que norteiam a esquerda social-democrata. Com efeito, os verdadeiros sociais-democratas há muito que se sentem órfãos, em Portugal e na Europa. Os ditos partidos sociais-democratas e socialistas renderam-se aos ditames do neoliberalismo, repudiando a sua história e esquecendo invariavelmente o próprio fundamento da política: o bem comum. É uma desilusão porque o que resta da esquerda não tem contado com o apoio dos cidadãos, pelo menos de forma significativa. A Grécia foi a excepção, Espanha poderá ser outra excepção e há sinais animadores no Reino Unido com a escolha de Jeremy Corbyn por parte do Partido Trabalhista.
Por outro lado, os discursos vazios derrubaram a arte da retórica e da dialéctica. Hoje a argumentação de pouco vale, resta uma boa imagem e a proliferação de frases soltas e inconsequentes, isto enquanto a direita se entretém com o mito da inevitabilidade.
A direita por sua vez também relegou muitos dos seus princípios, designadamente a direita ligada aos princípios sociais e cristãos, também ela inexoravelmente rendida ao fascínio pelos negócios. Direita que contou com a ajuda da dita esquerda esquecida do seu passado e dos seus princípios. Essa mesma esquerda terá sido essencial na criação da moeda única e continua a sê-lo na forma como se esmaga países em função de interesses egoístas e da vontade da finança; uma esquerda que ajudou a esvaziar o próprio conceito de democracia - o poder do povo que se transformou no poder das multinacionais e da finança.
A esperança -  porque ainda há esperança, apesar das desilusões - reside no que resta da esquerda: partidos políticos que, como se referiu, não têm contado com o apoio daqueles que passam boa parte de vida a queixar-se das miseráveis condições de vida a que estão sujeitos.

Apesar de tudo, nem o exemplo que se pretendeu fazer da Grécia e do Syrisa liquidará essa esperança, até porque se pode esmagar um país financeiramente, mas não se consegue esmagar a esperança.

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