quinta-feira, 30 de julho de 2015

O grande desígnio

O mesmo Passos Coelho que conta com todo o tempo de antena nas principais televisões e que se insurge contra o peso do Estado, insinuando vezes e vezes sem conta que o Estado está onde não deve estar, prepara-se para gastar mais 53 milhões de euros com escolas privadas.
Recorde-se que este é o mesmo governo que procedeu a cortes de centenas de milhões de euros na Educação; o mesmo Governo que desinvestiu no ensino superior; o mesmo Governo incapaz de esconder a sua repulsa pela investigação cientifica e pela cultura.
Os homens de negócio, perdão, os membros do Executivo de Passos Coelho têm feito transferências crescentes de dinheiros públicos para o privado, enquanto apregoam que o Estado gasta muito e faz mal - parte da receita do neoliberalismo na sua versão mais provinciana.
Nem tão-pouco será por acaso que assistimos ao enfraquecimento do Estado Social - Saúde, sem capacidade de resposta; Educação num declínio vertiginoso de qualidade e Segurança Social, invariavelmente considerada sem sustentabilidade e em constante ameaça de não dar resposta no futuro. Empurra-se o cidadão para serviços privados que, amiúde, se mostram despidos da qualidade a que o público nos habituou, que se torna mais visível em áreas como a Saúde.
De qualquer modo, existem serviços públicos que não se podem transformar em negócio - são demasiados os exemplos que mostram a falácia do privado.
Este enfraquecimento faz parte da estratégia, sendo aliás essencial. Diz-se que o Estado não tem capacidade de dar resposta nas principais áreas sociais - por ineficiência, por falta de dinheiro - ao mesmo tempo que se transfere quantidades incomensuráveis de recursos do Estado para o privado.
Este foi um dos principais desígnios do actual Executivo e se os portugueses, num qualquer acesso de insanidade mental temporária, decidirem dar mais quatro anos aos partidos da coligação, assistiremos à transformação do desígnio na mais cruel das realidades.


2 comentários:

Dalaiama disse...

Posso estar enganado, mas os cortes na Educação Pública ao longo destes 4 anos são superiores a "centenas de milhões de euros" (o que já por si é um número vergonhoso), creio mesmo que atingem MILHARES DE MILHÕES! Não consigo ir conferir essa informação agora, mas seja como for, agradeço que com muita frequência venhas conseguindo expressar com esta clareza o que tantos de nós pensamos e sentimos. Abraço.

Ana Alexandra Gonçalves disse...

Tem razão. A troika exigia cortes 195 milhões de euros em 2012 e 175 milhões em 2013, "contudo, a redução do orçamento disponível para o sector (incluindo o ensino superior) foi bem maior: de 2011 para 2014, encolheu cerca 1200 milhões de euros." (http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3810874)
Agradeço-lhe o comentário, sempre pertinente.
Muito obrigada.