Avançar para o conteúdo principal

Não há motivos de orgulho

Passos Coelho vangloriou-se de um feito incrível: ter uma ideia e desbloquear as negociações entre Estados-membros e a Grécia. O resultado foi o que se conhece: mais um exercício de humilhação que nos deve deixar a todos envergonhados. Passos Coelho contribuiu, segundo o próprio afirma, para o desfecho dessas negociações. Ora, o desfecho representou um dos momentos mais tristes da Europa desde a sua criação. Parabéns Sr. primeiro-ministro.
Para ajudar à festa o Presidente da República - aquele que nos faz ansiar ardentemente pelo passar dos meses até à sua saída - volta a criticar a Grécia e, no alto da sua sapiência, fala em erro estratégico. Em bom rigor, quando Cavaco Silva fala em erro estratégico sabe do que fala, desde logo porque de erros estratégicos, e não só, percebe ele: desde a destruição da capacidade produtiva do país, passando pelas paixões do ainda Presidente da República por Maastricht, pela moeda única e por aí fora. Não restam dúvidas, trata-se de um verdadeiro entendido em erros estratégicos.
Se já não existiam motivos de orgulho nos actuais representantes políticos, agora ainda menos. Vangloriam-se internamente de feitos vergonhosos quando externamente estão confinados a um estatuto (por eles alimentado) da mais abjecta insignificância.
Passos Coelho e Cavaco Silva, homens ligados a interesses mais mesquinhos, estão muito longe de conhecer conceitos como "solidariedade", a base da construção europeia. Não restam motivos de orgulho numa classe política que se afunda na mediocridade e nem se apercebe que as pretensas razões que justificam o seu orgulho são contrárias ao espírito europeu.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...