quinta-feira, 25 de junho de 2015

Um objectivo

O acordo entre Grécia, instituições europeias e FMI ainda não se conhece na totalidade. Nem tão-pouco se haverá acordo. Mas o objectivo das lideranças europeias é conhecido: derrubar o governo do Syrisa. Espera-se que os gregos não caiam na esparrela e que o Syrisa não acabe dividido, inexoravelmente dividido e inviabilizado. É esse o objectivo de boa parte das lideranças europeias.
Dir-se-á que sem renegociação da dívida não há verdadeiramente qualquer ganho para os gregos e que a austeridade não está verdadeiramente a ser travada. Talvez. Porém, o facto é que o Syrisa empreendeu uma luta sem quaisquer apoios, defronte a uma Europa decidida a trucidar tudo o que o Syrisa representa. E se o povo grego se dividir e sucumbir às divergências inconciliáveis, e se o mesmo acontecer com o próprio Syrisa, as ditas lideranças europeias ganharão; vencerá a tese de austeridade até à morte; morrerá o sonho de fazer diferente, de lutar contra as injustiças, de ter um futuro que não passe pelo definhamento humilhante.

A Grécia precisa de dinheiro e de tempo; a Grécia precisa de apoio; a Grécia precisa de alianças na Europa; a Grécia não pode desistir. O seu falhanço é o falhanço de todos aqueles que um dia ousaram sonhar com uma Europa diferente, mais justa, mais próxima do ideal europeu. O seu falhanço dará lugar ao triunfo do medo, da pequenez e da perpetuação do sofrimento - algo a que nós portugueses nos temos vindo a habituar, provando que há povos que se limitam a sofrer no silêncio sem sequer procurarem combater a raiz do seu sofrimento.

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