sexta-feira, 12 de junho de 2015

Medo

José Gil, no seu livro Portugal, Hoje - O medo de Existir - afirma que "a diferença com o passado é que o medo continua nos corpos e nos espíritos, mas já não se sente." O livro de José Gil foi publicado pela Relógio de Água Editores em 2004. Acrescentaria que o medo voltou a sentir-se: medo de perder o emprego; o medo; o medo de não ter a capacidade de pagar mais aquela prestação e o subsequente medo de se ser alvo de penhora; o medo dos outros, sobretudo o medo que os outros sejam melhores do que nós; o medo que alguém nos roube o emprego; o medo de agir; o medo do devir.
O medo voltou a sentir-se. Com efeito teria deixado de se sentir nos anos subsequentes à democracia, mas regressou com um resgate e com um Governo empenhado no empobrecimento e mais empenhado ainda em nos tirar o futuro. O medo sente-se, invalidando a capacidade de agir.
Na senda ainda do que José Gil professa, talvez não seja disparatado referir que um povo incapaz de pensar e construir o seu real é precisamente um povo que aceita qualquer real imposto. É exactamente isso que tem acontecido, sobretudo nos últimos anos. Um povo relegado para a não inscrição.

A leitura do livro acima referido, volvidos mais de dez anos da sua elaboração, é um exercício que recomendo sem qualquer hesitação. Muitas das ideias plasmadas no livro de José Gil ajudam a compreender o que se tem passado com o nosso país.

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