segunda-feira, 22 de junho de 2015

Erro histórico

A saída da Grécia da Zona, aparentemente desejada por alguns, será um erro histórico para a Europa e não apenas pelas razões que se prendem em exclusivo com a Zona Euro, mas sobretudo pelos desequilíbrios no plano geopolítico.
A forma quase pueril como as instituições europeias lidou com o assunto é reveladora de uma união que caiu nas mãos dos interesses egoístas, invariavelmente relacionados com os grandes negócios. Do lado do governo grego, está-se a fazer o que se pode para não empobrecer ainda mais com concessões em matéria de superavit, respeito pelos privatizações, recuo no aumento do salário mínimo e algum recuo na questão da renegociação) Convém recordar que o PIB grego recuou 20 por cento; os rendimentos 50 por cento; o desemprego aumentou e continua a fuga de capitais; o Governo grego recusa mais cortes nas pensões - como é evidente.
O erro é histórico: com a saída da Grécia, mudar-se-ão as relações entre a Grécia e os restantes Estados-membros da UE; com a saída da Grécia, este país estreitará relações económicas, financeiras e políticas com a Rússia (e com a China), factor que contribui para um desequilibro no plano geopolítico, numa altura em que as relações entre EUA/Europa e Rússia estão longe de serem saudáveis, graças, em larga medida, ao problema ucraniano que, como se viu, mereceu uma abordagem desastrosa pela própria UE, encabeçada pela Alemanha. Coloca-se a questão energética, com o gasoduto e a aproximação da Grécia à Rússia e eventualmente a saída da Grécia da própria Nato.
A saída da Grécia, depois de impasses, de trapalhadas e de muita má-vontade (incluindo por parte do FMI, responsável por verdadeiros desaires económicos ao longo de mais de 60 anos) é um erro infantil e histórico, tudo graças a 0,5 por cento do PIB grego para o próximo ano e outras questiúnculas.
Quanto à posição do Governo português em todo este processo, não resta muito para dizer: mesquinha, vergonhosa e contrária aos interesses e ao futuro do país, na senda daquilo que os partidos da coligação nos têm oferecido ao longo destes quatro anos.

Na verdade, o que seria desejável para as instituições da troika, para algumas lideranças europeias e para parte interessada - a finança - não era tanto a saída da Grécia do euro, mas sim a saída do Syrisa do governo grego e o fim dos devaneios anti-austeridade. O que está em jogo é simples: Grécia deve manter-se no Euro, mas o Syrisa deve sair do Governo grego. Essa é a verdadeira ambição daqueles que têm concertado esforços para dificultar a vida aos gregos.

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