quinta-feira, 30 de abril de 2015

Socialista, mas pouco

É sobejamente conhecida a propensão para partidos ditos socialistas e sociais-democratas desvirtuarem e esvaziarem o seu peso ideológico. O Partido Socialista português não é excepção.
Caso subsistam dúvidas, atente-se a algumas propostas constantes do cenário macro-económico que servirá de base ao programa de governo do PS: mexidas na TSU, com evidente impacto na sustentabilidade da Segurança Social; aumento da idade da reforma; algumas medidas que podem ser consideradas assistencialistas como a proposta de um subsídio para os trabalhadores mais pobres; e, sobretudo, a ausência de políticas que coloquem um efectivo travão à austeridade vigente.

O maior drama que vivemos prende-se precisamente com a descaracterização dos partidos ditos socialistas e sociais-democratas na Europa. Partidos, esquecidos do seu passado, determinantes para a existência do modelo social europeu; partidos que iludiram, com uma falsa terceira via e que acabaram por sucumbir aos interesses financeiros e económicos. Hoje quem representa a social-democracia e o socialismo democrático são precisamente aqueles considerados radicais. O Partido Socialista, a julgar por muito daquilo que consta do cenário macro-económico que servirá de base a um programa de governo, está muito longe do socialismo que ainda faz parte da sua designação.

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