quinta-feira, 2 de abril de 2015

Legitimidade

Passos Coelho, o cidadão que não pagou as devidas contribuições à Segurança Social - de modo atempado e para não dizer mais - quer agora fazer um contrato fiscal com os portugueses. Se pudéssemos recusar... como fazer contratos com quem age de má-fé, recorrendo a formas verdadeiramente autoritárias de lidar com os cidadãos? Como fazer contratos fiscais com alguém que, na qualidade de cidadão, deu um péssimo exemplo?
A legitimidade em política não se esgota na legitimidade conferida pelo voto. Essa visão exígua da legitimidade tem sido prejudicial para a própria democracia. De resto, a própria visão exígua da democracia tem sido prejudicial para todos. Porém, é uma visão que interessa a quem está no poder, sobretudo àqueles que têm sido representantes do povo nos últimos anos.
Já por aqui escrevemos que o ridículo, em Portugal, não faz vítimas, porque se o fizesse, dificilmente poderíamos contar com políticos como Passos Coelho - um homem preparado para fazer um contrato fiscal com os portugueses, um homem que, enquanto cidadão, não respeitou os princípios básicos da relação entre cidadão e Estado; um homem que acusou os portugueses de viverem acima das suas possibilidade e que instaurou uma verdadeira perseguição aos cidadãos contribuintes. O senhor Passos Coelho esquece, entre muitas outras coisas, que os contratos pressupõe boa-fé.


Sem comentários: