quinta-feira, 9 de abril de 2015

A expansão do jihadismo

Em Portugal foi notícia e existência de cinco mandados de captura sobre cidadãos portugueses que partiram de Lisboa rumo à Síria para se juntarem às fileiras do Estado Islâmico (EI). Recorde-se que o EI ocupa parte significativa do Iraque, está às portas de Damasco  - uma ameaça que recai sobre a Líbia; um regresso ao Islão inicial que inspira outros grupos fundamentalistas responsáveis por atrocidades em países como a Nigéria ou mais recentemente o Quénia.
É fundamental aprofundar-se a compreensão deste grupo e não se cair no erro quer de subestimar a ameaça, quer de reduzi-la à violência incompreensível. Com efeito é de barbárie que falamos: o regresso ao Islão inicial pressupõe um regresso à idade média e à utilização de métodos de conquista e punição hoje considerados absolutamente atrozes. Mas esta expansão do jihadismo, através do Estado Islâmico ou ISIS, difere, de forma substancial, de outras ameaças conhecidas como o caso da Al-Qaeda que alegava ter como grandes objectivos a expulsão dos "infiéis" da terra sagrada - península arábica - ou a destruição do Estado de Israel e combate aos infiéis, recorrendo a ataques terroristas e não à conquista e ocupação de territórios que passam a estar sob a "governação" do Estado Islâmico e sob os ditames da sharia. Paralelamente, o Estado Islâmico difere na percepção do fim dos tempos - um elemento apocalíptico central que não estava presente na Al-Qaeda.
É precisamente essa ideia central apocalíptica associada a uma visão medieval do Islão que torna os membros do EI propensos a níveis de violência verdadeiramente atípicos. A ideia que postula a existência de um califado - o original e não o último, o "Otomano" - e a ideia do fim dos tempos não podem continuar a ser subestimadas. Voltamos à noção de quem não teme a morte é capaz de tudo, rigorosamente tudo.

A luta contra a expansão do jiadismo que hoje tem sido ocupado, em larga medida, pelo Estado Islâmico passa indubitavelmente pela compreensão do fenómeno e não pelas simplificações e subestimações do costume.

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