Avançar para o conteúdo principal

Perplexidades

Esta foi a semana das perplexidades para Passos Coelho, uma semana verdadeiramente pródiga em perplexidades. Primeiro, o primeiro-ministro ficou perplexo com as afirmações do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, quando este sublinhou o papel de bloqueio de Governo português nas negociações europeias. De um modo geral, Tsipras caracterizou Portugal e Espanha como óbices às referidas negociações. Passos Coelho recusa esse papel e uma fonte do Executivo espanhol informou que Portugal e Espanha enviaram às Presidências da Comissão Europeia e Conselho Europeu um "protesto" contra as declarações de Tispras, a ideia partira, segundo essa mesma fonte, de Portugal.
Depois a perplexidade com a notícia que dá conta do não pagamento de contribuições para a Segurança Social de Passos Coelho, uma notícia que se dispensava sobretudo em ano de eleições.

E por falar em perplexidades, o que dizer de uma outra perplexidade? Uma perplexidade colectiva perante um Governo que empobreceu o país, composto por gente que insiste no erro e que condena quem defende outro caminho, procurando sabotar quem ousa procurar outro caminho - como é o caso da Grécia. Perplexidade que se prendem com a ironia de um primeiro-ministro maravilhado com a perseguição aos cidadãos, inclusivamente em matéria de segurança social, e que se "esquece" de cumprir as suas próprias obrigações; um primeiro-ministro que, depois das famigeradas "ajudas de custo" do caso Tecnoforma, é apanhado em falso; um primeiro-ministro paga a dívida por se sentir pressionando, alegando ignorância para disfarçar a sua falta. Tantas razões, tantas perplexidades em torno de um primeiro-ministro que há muito deixou de ter condições de o ser.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...

Afinal não há referendo sobre o Tratado de Lisboa

Tudo indica que o primeiro-ministro vai anunciar hoje a ratificação do Tratado de Lisboa por via parlamentar. Fica assim excluída a hipótese de o mesmo tratado ser ratificado por via referendária. Segundo alguns órgãos de comunicação social, o primeiro-ministro não foi imune às opiniões do Presidente da República, mas também de vários líderes europeus que se opõem à possibilidade de referendo, entre os quais Angela Merkel, Sarkozy e Gordon Brown. Recorde-se que foi feita uma espécie de acordo entre os vários líderes europeus no sentido de fazer a ratificação do tratado sem levantar problemas, ou dito de outro modo, o processo de ratificação nos vários Estados-membros deve ser feito através dos parlamentos. De qualquer modo, os cidadãos europeus ficam, mais uma vez, fora das decisões europeias. Ninguém contesta a legitimidade dos parlamentos para se pronunciarem sobre essa matéria específica, o que se trata é da construção europeia e a sua viabilidade a médio e longo prazo. Ora, se por ...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...