quarta-feira, 18 de março de 2015

Brasil

O contexto socioeconómico é conhecido: desigualdades acentuadas, serviços de saúde muito longe de dar resposta às populações, serviços de transportes públicos desadequados e um sistema político marcada indelevelmente pela corrupção.
No entanto, existe trabalho feito, sobretudo por Lula da Silva, no sentido de atenuar as desigualdades marcantes. Mas Dilma não é Lula e tem escolhido um caminho sinuoso associado amiúde à direita - o ajuste fiscal, mais parecido com a austeridade que fustiga a Europa - é paradigmático de uma escolha errada que desvirtua a esquerda.
É precisamente essa descaracterização da esquerda que enfraquece a posição de Dilma. Paralelamente, os escândalos de corrupção continuam a marcar o PT de Dilma; a promiscuidade entre poder político e poder económica também fez escola no Brasil. 
O Brasil necessita de um vasto conjunto de mudanças: reforma política, combate à corrupção (urge alterar o financiamento dos partidos políticos), combate às desigualdades e, sobretudo, a esquerda do PT não pode cair no erro que marca parte da esquerda europeia, sucumbindo à promiscuidade com o poder económico, escolhendo políticas de direita, descaracterizando-se. De resto, essa descaracterização permite a ascensão de forças tantas vezes menos democráticas e de sonhos com o regresso de ditaduras (no Brasil há quem anseie pelo regresso da ditadura militar).

Ou Dilma e o PT mostram-se capazes de encetar estas mudanças ou o Brasil entra numa inquietante espiral de instabilidade política que pode abrir espaço a movimentos políticos pouco consonantes com a própria democracia.

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