quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ultimato

As negociações entre o Eurogrupo e a Grécia correram manifestamente mal. Um bom presságio do que viria a acontecer terá sido a frase do ministro das Finanças alemão quando afirmou que sentia pena dos gregos por terem escolhido um “governo que se porta de forma irresponsável”. Palavras inadmissíveis, mas que são o espelho de uma Europa refém da Alemanha cuja hegemonia se consolida a cada dia que passa, perante a pusilanimidade dos líderes dos restantes Estados-membros europeus.
O ultimato é evidente: ou a Grécia aceita as condições da Alemanha, porque é disso que se trata, ou sairá da Zona Euro. Ou a Grécia aceita a austeridade ou terá de abandonar a moeda única. Pelo caminho fica uma primeira proposta retirada à ultima da hora e tentativas de esconder uma proposta que os cidadãos europeus têm todo o direito de conhecer. Novamente, esta é a Europa que despreza os seus cidadãos, vergada aos interesses de um único país e aos ditames da alta finança. Os cidadãos, nesta equação, há muito que deixaram de contar.
A estratégia da Alemanha passa por isolar a Grécia, contendo assim um possível efeito de contágio, através do Podemos em Espanha ou até mesmo o Sinn Féin na Irlanda. A hegemonia alemã não será posta em causa e a política que impôs à Europa, e cujos benefícios são exclusivamente seus, não pode ser posta em causa. Para tal conta com criaturas cinzentas, afundadas na mais profunda inanidade: de Hollande, passando Rajoy e acabando no inefável Pedro Passos Coelho. A Europa persegue o seu membro mais fraco – aquele que está numa posição mais difícil – e ainda há quem assista e aplauda.

O resultado deste ultimato pode ser desastroso para toda a Europa. Por um lado, insiste-se na austeridade que tem vindo a destruir boa parte dos países europeus; por outro, ao isolar-se um país, ao insistir na humilhação caminha-se em sentido contrário à filosofia da própria União Europeia e empurra-se esse país para soluções que, eventualmente, possam passar por outros países fora da Europa. Um erro crasso que ficará na História. 

1 comentário:

Josiel Dias disse...

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Josiel Dias
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