segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Fora da reestruturação da dívida

Passos Coelho, em resposta a Catarina Martins do Bloco de Esquerda, afirmou categoricamente a sua recusa numa participação na conferência, que faz parte das intenções do Syrisa, para a discussão sobre reestruturação da dívida. O primeiro-ministro, aliás, não podia ter sido mais claro.
Ora, em bom rigor, não era necessária qualquer clarificação. Passos Coelho já manifestou, em inúmeras ocasiões, não estar interessado em sequer discutir uma hipotética reestruturação da dívida. Esse desinteresse prende-se naturalmente com a posição ideológica do primeiro-ministro, um pouco na linha do "doa a quem doer, custe o que custar", embora em bom rigor, exista quem escape a esses custos e a essas dores - os mesmos que são salvaguardados pelas políticas do Executivo de Passos Coelho. O primeiro-ministro apenas veio reforçar uma posição bem conhecida.
Assim, Portugal continuará oficialmente a adoptar uma posição que já não conta com os consenso do passado; uma posição, aliás, que corre o risco de se tornar minoritária entre os próprios líderes europeus.

Este é o ano de escolhas: vamos escolher a austeridade em todo o seu esplendor preconizada e aplicada por quem teimosamente insiste numa receita falhada e desastrosa para o país; ou escolheremos a austeridade em doses menores, disfarçada por princípios associados à esquerda, mas que não deixa de facto de se tratar de austeridade, mais uma vez fazendo parte da receita falhada; ou, ainda, escolheremos quem defende uma ruptura relativamente à dita receita falhada e desastrosa para o país. De qualquer modo, sabemos perfeitamente onde se posiciona cada partido político.

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