quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Destruição do Estado Social

A destruição do Estado Social - facto que se acentuou nos últimos quatro anos - não é mera retórica. Com efeito, existem efeitos práticos do enfraquecimento e subsequente destruição do Estado Social. Existem insofismavelmente consequências e efeitos práticos na Segurança Social, designadamente com a redução do número de beneficiários de apoios sociais, com a inclusão vergonhosa de desempregados em empregos forçados (sob pena de perderem o subsídio para o qual descontaram) num verdadeiro hino à mão-de-obra barata ou gratuita, deixando aumentar o número daqueles que vivem reféns da miséria. 
Assim como existem efeitos óbvios na área da educação com turmas a rebentar pelas costuras, com professores desmotivados e naturalmente incapazes de dar o apoio necessário aos alunos, num contexto de aprofundamento das diferenças sociais entre os que estão amontoados em escolas públicas e os que podem pagar escolas privadas, destruindo a lógica de ascensão social, mas cumprindo um desígnio ideológico - assim se formam as castas do futuro; bem como o desinvestimento, também fruto da ideologia e da inépcia, no ensino superior e na ciência. Deste modo, podemos esperar sentados por qualquer coisa que remotamente se assemelhe a desenvolvimento.
E, finalmente, mas não menos importante, a destruição do Estado Social têm consequências óbvias no Sistema Nacional de Saúde que se tem vindo a desenvencilhar de médicos e enfermeiros com anos de experiência, optando por contratar, em número inferior, médicos e enfermeiros a empresas privadas, com custos mais elevados. O resultado está à vista: um Sistema Nacional de Saúde desprovido de meios para dar resposta às necessidades dos cidadãos. O resultado aqui consegue ser ainda mais trágico: a morte. Facto que ainda assim não parece inquietar quem nos governa.
Tudo isto para quê? Para pagar juros e recapitalizar a banca - é isto a dívida  -, tendo sido esta a grande janela de oportunidade para a aplicação de políticas que, de outro modo, não seriam aceites.
Quando se faz a mesma pergunta aos gregos, ou seja: e tudo isto para quê? Eles, uma vasta maioria, terá uma resposta que não difere da que está em epígrafe, mas acrescentarão que já não aceitam, simplesmente já não aceitam, apesar das pressões e chantagens a que estão sujeitos, simplesmente já não aceitam.

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