Avançar para o conteúdo principal

A Rússia é uma variável da equação

Quando se discute a questão grega, em particular depois da vitória do Syrisa, existe uma variável que não pode ficar de fora da equação: a Rússia.
Evidentemente que a Rússia está presente nas mentes dos principais líderes europeus, a começar pela chanceler alemã Angela Merkel, o que contribui para o enfraquecimento de uma hipotética saída da Grécia do Euro. De resto, se essa saída se consumasse, a Grécia seria forçada a estreitar ainda mais as relações com a Rússia, permitindo que este país alargasse substancialmente a sua zona de influência. Recorde-se que a Grécia mantém relações de
proximidade com a Rússia que se consubstanciam sobretudo em relações de natureza comercia que se intensificaram nos últimos anos.
Alexis Tsipras, novo primeiro-ministro grego, já deixou claro que não é apologista de uma antagonização relativamente à Rússia. Tsipras já chegou mesmo a afirmar que "por agora" uma ajuda da Rússia, "não está em consideração", por agora.
A Grécia encostada à parede e entregue à miséria escolheu a mudança. Ora, se a Europa, designadamente a Alemanha, insistir no caminho que tem vindo a ser seguido, corre o risco de empurrar este país para a própria Rússia - facto que seguramente não escapa à Administração Obama que, através do próprio Presidente, já mostrou o seu apoio à Grécia.

Por conseguinte, a saída da Grécia do Euro afigura-se improvável, talvez não tanto pelas consequências dessa saída para a restante Zona Euro, mas sobretudo devido às implicações geo-estratégicas da Europa e dos EUA.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...