Avançar para o conteúdo principal

Uma lição de democracia

Democracia – uma palavra que anda nas bocas de tantos, porém quando o povo grego dá uma verdadeira lição de democracia, o conceito perde força e dá lugar a uma azia indisfarçável.
Uns relembram as responsabilidades; outros apostam nas generalizações invariavelmente abusivas em torno de todo um povo; e há ainda aqueles que associam as políticas do partido vencedor, o Syrisa, a um “conto de crianças”, isto dito pelo responsável pelo empobrecimento atroz a que o país foi sujeito – não um conto, mas a realidade que está a destruir o país.
Seja como for, e minudências dos habituais protagonistas insignificantes à parte, o povo grego brindou a Europa com uma incomensurável lição de democracia: a mudança que tantos almejavam foi conseguida através do voto, com transparência, consciência e, por muito que custe a alguns, responsabilidade. Um sinal que o país que tantos acusam de irresponsabilidade, mostra ser precisamente o contrário.

A mudança chegou através da democracia. Uma lição para a Europa, sobretudo para as lideranças políticas que através das políticas falhadas de austeridade não têm feito outra coisa que não seja enfraquecer as democracias. Esta não será, infelizmente, uma lição ao alcance de todos. Por cá, alguns precisam primeiro de aprender a pronunciar o nome “do partido que venceu as eleições na Grécia”, isto se a arrogância do costume o permitir.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...