sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Liberdades

A liberdade tem sido profusamente discutida em Portugal e sobretudo no resto da Europa. O atentado ao Charlie Hebdo abriu a discussão sobre as liberdades. De resto, essa mesma discussão enquadra-se perfeitamente no próprio conceito de democracia que chama a si próprio as liberdades e o pluralismo, também no que diz respeito às opiniões.
Porém, esse pluralismo é amiúde esquecido. Ana Gomes escreveu no twitter ter ficado desagradada com a última edição do Charlie Hebdo. As respostas não esperaram pela demora e há quem fale de liberdade esquecendo-se da liberdade do outro na manifestação da sua opinião ou até mesmo do seu repúdio. A capa do Charlie Hebdo - edição desta quarta-feira - é passível de críticas, é precisamente esse o espírito do pluralismo que enriquece as democracias. De resto, posso opinar favoravelmente sobre a escolha do profeta para a capa da última edição do Charlie. Quem não se revê nesta ou noutras publicações é livre de manifestá-lo. O que se torna inaceitável é que se ponha em causa o que quer que seja por hipotéticas ofensas.
Pessoalmente quero viver numa sociedade em que existem publicações como o Charlie Hebdo e lutarei por viver nessa sociedade. No entanto, tenho de aceitar que existe quem discorde, não da existência da publicação, mas do seu conteúdo. As pessoas são livres de criticar o conteúdo desta e de outras publicações. Poderei refutar essas críticas, mas não as posso por em causa, caso contrário como fazer a apologia da liberdade se acabo por cercear a liberdade dos outros? Liberdade de pensamento e de opinião.

Para finalizar: lamento não viver numa sociedade onde existam verdadeiramente publicações ou outros instrumentos de opinião como o Charlie Hebdo. Sim, porque Portugal ainda é o país onde se pode brincar, criticar, e eventualmente satirizar, mas com "respeitinho".

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