Avançar para o conteúdo principal

Solidariedade

Em tempos o Governador do Banco de Portugal equacionou a possibilidade de retirar a idoneidade a Ricardo Salgado, mas um parecer parece ter ajudado Salgado a manter a idoneidade no sector financeiro. E o que dizia esse parecer? No cômputo geral assinalava "o espírito de entreajuda e solidariedade" entre Salgado e um construtor, o que justificou que o último transferisse para o primeiro a módica quantia de 14 milhões de euros. Não, não é uma anedota. E o responsável pelo parecer terá sido João Calvão da Silva, professor da Universidade de Coimbra e actual presidente do Conselho de Jurisdição do PSD.
Sem a referida idoneidade Ricardo Salgado não poderia permanecer à frente do BES. Os 14 milhões passaram naturalmente por uma off-shore e ainda beneficiaram da amnistia fiscal do Regime Excecional de Regularização Tributária (RERT).
Solidariedade, segundo o dicionário da Porto Editora tem várias acepções: sentimento que leva a prestar auxílio a alguém; responsabilidade recíproca entre elementos de um grupo social, profissional, institucional ou da comunidade; adesão ou apoio a uma causa, a um movimento ou a um princípio; sentimento de partilha de sofrimento alheio.
Ora, 14 milhões de euros cabem em que acepção? "Sentimento de partilha de sofrimento alheio"? Calvão da Silva não diz com precisão. 14 milhões de euros couberam no bolso de Salgado e a nós cidadãos coube um problema cuja dimensão é ainda difícil de definir.
Estas afrontas só são possíveis em contextos de impunidade e apatia dos cidadãos. Quando a acção insidiosa e iníqua não tem resposta, tudo é permitido.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecências, vai fa

Outras verdades

 Ontem realizou-se o pior debate da história das presidenciais americanas. Trump, boçal, mentiroso, arrogante e malcriado, versus Biden que, apesar de ter garantido tudo fazer  para não cair na esparrela do seu adversário, acabou mesmo por cair, apelidando-o de mentiroso e palhaço.  Importa reconhecer a incomensurável dificuldade que qualquer ser humano sentiria se tivesse que debater com uma criança sem qualquer educação. Biden não foi excepção. Trump procurou impingir todo o género de mentiras, que aos ouvidos dos seus apoiante soam a outras verdades, verdades superiores à própria verdade. Trump mentiu profusamente, até sobre os seus pretensos apoios. O sheriff de Portland, por exemplo, já veio desmentir que alguma vez tivesse expressado apoio ao ainda Presidente americano. Diz-se por aí que Trump arrastou Biden para a lama. Eu tenho uma leitura diferente: Trump tem vindo a arrastar os EUA para lama. Os EUA, nestes árduos anos, tem vindo a perder influência e reputação e Trump é o ma

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa