terça-feira, 4 de novembro de 2014

Podemos mudar

A sondagem do El Pais provoca um abalo político em Espanha: o Podemos, um partido com quase um ano de existência, fica à frente do PP e do PSOE - os partidos da alternância. Paralelamente, Pablo Iglésias, líder do Podemos, é o único político com nota positiva. O desemprego, a corrupção transversal a PP e PSOE, com escândalos diários, e o falhanço da austeridade justificam a ascensão do Podemos, um partido que deu expressão popular ao movimento 15M.
Outras razões que poderão justificar a ascensão do Podemos prendem-se com as propostas - nem sempre tão aprofundadas e exploradas quanto o que se desejaria. Este partido rejeita as políticas de austeridade, defendendo a necessidade de combater a oligarquia financeira e económica; o Podemos aponta o desemprego como um dos maiores problemas em Espanha e assume a necessidade de reestruturar a dívida pública e privada.
No entanto, o que justifica em larga medida a ascensão do Podemos e surpresa na preponderância deste partido prende-se com o desgaste dos dois grandes partidos espanhóis: PP e PSOE e no PSOE em concreto a indefinição que assola os partidos socialistas na Europa.
O resultado está à vista: a ascensão de um partido que mostra ser aquilo que PP e PSOE não são - uma mudança tão almejada. Sinais que deixarão uma Europa ideologicamente obtusa inquieta. A este sinal soma-se a boa colocação do Syrisa grego nas sondagens.

1 comentário:

Dalaiama disse...

Pois que o Syrisa, que também já esteve bem perto de o conseguir, alcance finalmente o poder na Grécia. E este Podemos espanhol, que conheço menos mas também aprecio, oxalá continue a surpreender.
As esquerdas europeias adormeceram quando chegaram ao poder e com o passar das legislaturas foram apodrecendo.
Esquerda rija é bem-vinda. E necessária. Digo eu.