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Público e privado

São conhecidas as afirmações que postulam uma melhor gestão por parte do sector privado; são estas afirmações que servem também para sustentar a política de privatizações na energia, telecomunicações, banca e qualquer dia em sectores como o sector da água. Por outro lado, à medida que o enfraquecimento deliberado dos serviços públicos se consolida, mais as mesmas vozes que proferem tais afirmações sobem de tom. O Estado é possuidor de todos os defeitos e de mais alguns.
As mesmas vozes enchiam-se de rejubilo quando se falava em Ricardo Salgado e em Zeinal Bava, sendo este último conhecido por ser o "ferrari dos gestores". Estes senhores eram o exemplo acabado de como o privado geria melhor, fazia tudo melhor.
Errado. Estes dois exemplos valem sobretudo pela dimensão dos estragos causados: um contribuiu para a ruína do banco, fragilizando o sistema bancário e deixando uma enorme dúvida sobre os reais custos dos estragos para os contribuintes; o outro, contribuiu decisivamente para a ruína de uma empresa que no passado foi verdadeiramente inovadora, com investimentos avultados em tecnologia e inovação.
O que é que passará exactamente pela cabeça daqueles que proferem as afirmações acima enunciadas? O privado continua a ser a panaceia para todos os males? O paraíso na terra? Ou será que esse privado (parte dele, claro) mantém relações promiscuas com o poder político, depende desse mesmo poder político e serve apenas para enriquecer os directamente envolvidos e os "facilitadores"?
Porventura, chegou a hora de, para além das habituais críticas ao sector público, as vozes que insistem nessas críticas, viraram as suas atenções para o que se passa no tão adorado sector privado.

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