sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O drama do desemprego

O desemprego é um verdadeiro flagelo social na Europa, sobretudo em Portugal, apesar de todas as maquilhagens do Governo, quando na verdade as elevadas taxas de desemprego exercem pressão no emprego existente aumentando assim a precarização e reduzindo o nível salarial.
O desemprego não é apenas um drama social, é também um tormento pessoal. O mercado de trabalho é fustigado pela exiguidade e são muitos os trabalhadores no desemprego que já se encontram sem qualquer tipo de subsídio ou apoio social. Resta a solidariedade familiar e eventualmente de alguns amigos e quando estas falham, por uma multiplicidade de motivos que não interessa aqui discutir, o resultado é a existência de pessoas absolutamente desamparadas. O drama de quem está desempregado ou à procura de emprego não pode continuar a ser desprezado por quem governa números. O ainda Governo mostrou um desprezo pelos seus cidadãos, sem precedentes, ao mesmo tempo que manifestou todo o interesse em respeitar “compromissos” com PPP's, contratos Swap, isenções fiscais abjectas e outras monstruosidades.
Quem procura emprego tem forçosamente de se deslocar, por vezes percorrendo distâncias consideráveis. O preço dos transportes públicos é amiúde impossível de suportar, tornando o drama de quem está à procura de desemprego insuportável. Imagine-se o que é ter uma ou mais entrevistas de emprego e não ter a capacidade económica de se deslocar. Esta dificuldade é real para muitas pessoas.
Assim, não seria insustentável para o Estado acordar com as empresas de transportes colectivos acordos que permitissem mensalmente aos desempregados e a pessoas à procura do primeiro emprego um determinado número de deslocações. Um desempregado poderia assim ter direito a um determinado número de viagens gratuitas por mês. Este custo comparativamente com o custo de PPP's, Swaps, BPN, submarinos e afins é verdadeiramente risível. Para quem está desempregado o custo é sempre demasiado elevado. O resultado é uma sociedade profundamente desigual – a antítese de qualquer noção de desenvolvimento.

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