sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Política e ética

Pressupõe-se que a política se deve subjugar à ética. É óbvio que este pressuposto tem faltado aos encontros com a realidade, sobretudo em Portugal. Questionamos-nos amiúde sobre o afastamento dos cidadãos relativamente à política - Passos Coelho tem dado um forte contributo para esse afastamento ao exercer o seu mandato desprezando os cidadãos, esquecendo que ele próprio é um representante eleito, e mostrando que na sua vida política não adoptou a conduta que ele próprio tem exigido à generalidade dos cidadãos.
De resto, que legitimidade tem o primeiro ministro quando exige dos cidadãos o cumprimento escrupuloso das suas obrigações, quando ele próprio, não enquanto um mero cidadão mas na qualidade de representante eleito, não cumpriu?
A ética é uma palavra vazia de sentido, facto que contribui para o enfraquecimento das democracias e, claro está, para o afastamento dos cidadãos. Instala-se a ideia de que "são todos iguais" e que não vale a pena participar nesta democracia.
O Presidente da República, responsável também pelo regular funcionamento das instituições, continua à espera que a turbulência cesse. Os cidadãos respondem com o afastamento, a antítese de qualquer consolidação da própria democracia.
Esclarecimentos? Escassos e contraditórios. Consequências? No país da inconsequências, suspeita-se que nenhuma.

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