quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Estado Islâmico

Atrocidades inefáveis caracterizam a actuação de um grupo jihadista que já referiu ter como objectivo a restauração do califado. Estado Islâmico (EI) ou ISIS – Islamic State of Iraq and Syria ou ainda Estado Islâmico do Iraque e do Levante são as designações do grupo que reclama a necessidade de um regresso às verdadeiras origens do Islão, recusando em absoluto o Islão moderno.
Conquistam com acentuada celeridade e eficiência parte do território iraquiano e parte do território sírio; praticam actos atrozes contra aqueles que se desviam da sua concepção religiosa; assassinam, violam, perseguem. Dois jornalistas americanos foram cruelmente assassinados. Nas regiões controladas pelo grupo é imposta a Sharia e registam-se casos de conversões forçadas. O grupo apregoa e luta por um mundo “limpo” e “puro”.
Estados Unidos respondem com ataques cirúrgicos no Iraque, apoiando em simultâneo curdos e xiitas, a Alemanha declarou o seu apoio também material, através de armamento, aos Curdos, e o Irão, de maioria xiita, olha com apreensão para a situação no vizinho Iraque.
O grupo sunita surge como sucessor da Al-Qaeda e muitos consideram tratar-se de uma ameaça ainda maior. A capacidade financeira do grupo tem vindo a crescer: suspeita-se de apoios sauditas e sabe-se que a conquista de terras ricas em petróleo tem permitido um financiamento que resulta da venda desse recurso no mercado negro. A consequência é evidente: o aumento da capacidade destrutiva dos jihadistas do EI.
Paralelamente, a corrupção que grassa nas forças militares iraquianas a par da fragilidade de todas as estruturas do próprio Estado iraquiano facilitaram a vida ao Estado Islâmico. As divisões entre sunitas, xiitas e curdos compõe o cenário. Os Yazidi, de origem curda, têm conhecido de perto a violência dos jihadistas do Estado Islâmico.
Apesar da violência e talvez, em parte devido a essa violência, muitos, incluindo cidadãos europeus, vêem interesse em se juntar às fileiras do EI – motivo de preocupação acrescida para os responsáveis políticos europeus e americanos.
Depois de se considerar Bashar al-Assad um ditador a abater e apesar dos avisos que chamavam a atenção para o recrudescimento do radicalismo na Síria entre os rebeldes que combatiam o regime de Bashar al-Assad, a “comunidade internacional” olha chocada para uma realidade que infelizmente se repete: a disseminação do radicalismo religioso.
Os confrontos entre o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad e os rebeldes não cessaram e o Estado Islâmico encontra na Síria terreno fértil para a propagação das suas ideias. Não seria de estranhar que hoje o ditador Bashar al-Assad deixasse de ser o homem a abater. Temos assistido a estranhas alianças, esta seria estranhíssima, mas não será ainda assim totalmente descabida.

Sem comentários: