Avançar para o conteúdo principal

Depois de empobrecer

O que existe depois de empobrecer? O que subsiste depois de um empobrecimento vendido em conjunto com a ausência de alternativas? O que sobrevive a esse empobrecimento fruto do facto de termos vivido acima das nossas possibilidades?
O primeiro-ministro, forte defensor do empobrecimento e exímio executante desse mesmo empobrecimento tem agora uma prioridade: apoio à natalidade. Segundo o primeiro-ministro importa agora “retirar obstáculos à natalidade”.
Assim, o primeiro-ministro e os seus acólitos sugerem trabalho em part-time com vencimento, durante um ano, a 100 por cento, reduções em matéria fiscal e em tarifas municipais, um passe familiar, etc. Sob os escombros Passos Coelho lembra-se que um país é feito de pessoas; isto depois do já referido empobrecimento como panaceia para todos os problemas do país; depois do incentivo directo e inequívoco à saída de jovens do país; depois de mais de um milhão de desempregados (incluindo os que já desistiram de procurar emprego e os muitos milhares que estão envolvido em acções de formação e afins, convenientemente retirados das listas); depois dos cortes em salários e pensões; depois de um aumento “brutal” de impostos; depois de ter despido o país de qualquer estratégia, Passos Coelho, num rasgo de demagogia para a qual nem sequer tem jeito, fala de um país de pessoas.
Aquele que corta, sem apelo nem agravo, em pensões, salários, apoios sociais, saúde e educação, mas não olha a meios para beneficiar aquele um por cento que detém um quarto da riqueza do país, coadjuvado por uma Europa que defende os interesses da mesma casta, vem agora falar na importância da natalidade. Aquele que foi protagonista na destruição do país, fala agora na sua reconstrução. Seria caso para rir...

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A outra doença

Quando todos se empenham no combate ao perigoso vírus, outras doenças subsistem, das quais se destacam a imbecilidade de líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro e uma União Europeia que pouco se esforça para mostrar algum resquício de espírito de união. Agora aparece o Presidente do Eurogrupo e também ministro das Finanças português, pouco entusiasmado, a apresentar um pacote de 500 mil milhões de euros de dívida, perdão, ajuda. Desses 500 mil milhões sobram algumas migalhas para Portugal. De resto, a Europa continua dividida entre países como a Alemanha e os Países Baixos e os países do sul. O egoísmo gritante de uns matará o que resta desta anedota, como quase matou em 2008.. Entretanto, e enquanto os líderes dessa Europa aplicam as suas energias em bloquear soluções, o fascismo vai fazendo o seu caminho, livremente, na Hungria e na Polónia, Estados-membros da UE. Havermos de superar o vírus que paralisou o mundo, mas dificilmente resistiremos à doença do egoísmo nesta espéci...