segunda-feira, 14 de julho de 2014

A esquerda e os desentendimentos

É sobejamente conhecida propensão da esquerda para os desentendimentos. Tem sido assim ao longo dos tempos. Em bom rigor, também é natural que em democracia, num contexto onde impera a pluralidade de opinião, as diferenças sejam preponderantes.
Contudo, há um factor que tem contribuido para a divisão das esquerdas e esse factor prende-se com a propensão que os partidos ditos socialistas e outros partidos de esquerda têm para se render aos interesses que unem os partidos de direita. Em Portugal passa-se o mesmo. E os partidos que permanecem fiéis aos ideiais de esquerda desentendem-se.
Veja-se o caso do Bloco de Esquerda: os últimos resultados eleitorais foram um desastre e as cisões internas continuam a fazer o seu caminho, existindo quem deseje uma união à esquerda e quem rejeite em absoluto essa possibilidade. Ana Drago foi a mais recente baixa no Bloco de Esquerda. E partidos como o Livre arriscam-se a conquistar eleitores que outrora votavam no Bloco de Esquerda.
 A candidatura de António Costa no PS veio baralhar ainda mais as contas. Na verdade, Costa já referiu que o PS não apita à direita ou à esquerda, embora também tenha sublinhado a importância do PS não descartar as possibilidades que estão no horizonte, incluindo movimentos de cidadãos - à semelhança do que se passa em Lisboa.
O certo é que as divisões da esquerda só resultam numa vitória da direita. A confusão, a ausência de ideias e de alternativas, a incapacidade de se ultrapassar pequenos e grandes egos aborrece os eleitores e enfraquece os partidos de esquerda. A excepção é, inquestionavelmente, o PCP.
Enquanto a esquerda não se entender, em Portugal, como no resto da Europa, os partidos de direita encontram caminho aberto para procederem a profundas transformações nas sociedades europeias. Esse é outro facto incontornável.

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