segunda-feira, 26 de maio de 2014

Derrotas

Os resultados das eleições europeias mostram claramente a derrota da Aliança Portugal que agrupou PSD e CDS e do Partido Socialista. Aparentemente falar-se de uma derrota do PS – partido vencedor das eleições europeias – soa a paradoxo. Porém, é de uma derrota que se trata, apesar da vitória. Dito por outras palavras, o PS sai derrotado, apesar dos discursos em sentido contrário, consequência de um resultado que fica muito aquém do que se esperaria do maior partido da oposição.
De um modo geral, o PS não encontra eco no descontentamento dos cidadãos. O PS não é alternativa aos olhos de muitos cidadãos e, no caso em apreço, o PS incorreu no mesmo erro que o PSD e CDS: tratou a Europa como um assunto irrelevante, preferindo alinhar na mesma retórica de politiquice que simplesmente não colhe junto da maioria dos cidadãos. De igual modo, percebe-se mais uma vez que a liderança de António José Seguro revela mais do que tudo uma tibieza assinalável.
PSD e CDS saem profundamente derrotados das eleições de ontem. Mais um sinal de descontentamento que será convenientemente ignorado quer pelos partidos em questão, quer pelo Presidente da República.
Da noite de ontem sai também derrotado o Bloco de Esquerda, incapaz de fazer passar a sua mensagem, afundado em saídas de monta, e outros factores como a também saída de parte do seu eleitorado do país e a abstenção dos que poderiam votar naquele partido. Paralelamente, o Bloco de Esquerda padece de um mal que não é seu exclusivo, mas que compromete seriamente as suas aspirações: a imagem e a visibilidade concedida pelos meios de comunicação social. Essa imagem e essa visibilidade são ainda essenciais, Marinho Pinto que o diga.
As eleições europeias representaram também uma derrota para a própria Europa: elevadas taxas de abstenção e escalada de euro cépticos eleitos. Ilações sobre estes resultados e consequências práticas dos que ainda detém o poder, embora enfraquecido, será coisa a que não assistiremos. A Europa continuará afastada dos seus cidadãos. Os resultados de ontem estão longe de ser suficientes para mudar seja o que for.

Finalmente, ontem a democracia saiu também ela ainda mais enfraquecida. A maior parte dos cidadãos europeus não participa na construção da Europa. Mais uma vez, não haverá lugar a ilações ou consequências práticas.

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