terça-feira, 15 de abril de 2014

Prolongamento da angústia

Acusa-se o actual Governo de incompetência. Não é bem verdade. Relativamente ao prolongamento da angústia dos portugueses, o Governo é absolutamente exímio. Veja-se a novela em torno dos novos cortes a apresentar: o primeiro-ministro afirma que esses cortes não voltarão a atingir salários e pensões. Todavia, a notícia de que pensões e reformas poderão ficar dependentes da evolução económica e da demografia são cada vez mais recorrentes.
A comunicação entre Governo e cidadãos é a todos os níveis desastrosa, pelo menos para os cidadãos. Não é possível esconder o jogo, mentir, dissimular, desdizer, escamotear, perpetuando a angústia dos portugueses.
A ideia de que os representantes eleitos não têm a contas a prestar aos cidadãos, ou só o devem fazer nos períodos eleitorais, é profundamente errada. Em democracia a transparência e a comunicação entre quem representa e quem escolhe os seus representantes é essencial. A necessidade de relembrar que se trata de uma relação entre representantes eleitos e cidadãos e não entre monarcas absolutistas e seus súbditos é igualmente surpreendente.

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