Foi com a frase em epígrafe que Assunção Esteves,
Presidente da Assembleia da República, resolveu a questão da presença
dos militares de Abril nas cerimónias dos 40 anos do 25 de Abril na
Assembleia da República. Em causa estava o uso da palavra pelo
Presidente da Associação 25 de Abril como condição para participar nas
cerimónias. A resposta da Presidente da Assembleia da República foi: "o
problema é deles".
Esta resposta não surpreende se pensarmos nas palavras já
entretanto proferidas pela Presidente da Assembleia da República, pessoa
que ocupa um dos mais elevados cargos da nação, presidindo à casa da
democracia.
Na qualidade de Presidente da Assembleia da República exige-se
mais contenção nas palavras, sobretudo quando o que está em causa é
precisamente o princípio da democracia portuguesa. São 40 anos que
merecem mais respeito. O problema está na ausência de cultura
democrática que perpassa parte dos dirigentes políticos do país,
sobretudo naqueles que ocupam os cargos mais relevantes.
As palavras de Assunção Esteves são, no mínimo, infelizes. Porém e
em bom rigor, mais não se espera da actual Presidente da Assembleia da
República. E o problema, também infelizmente, é nosso.
Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...
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