Foi com a frase em epígrafe que Assunção Esteves,
Presidente da Assembleia da República, resolveu a questão da presença
dos militares de Abril nas cerimónias dos 40 anos do 25 de Abril na
Assembleia da República. Em causa estava o uso da palavra pelo
Presidente da Associação 25 de Abril como condição para participar nas
cerimónias. A resposta da Presidente da Assembleia da República foi: "o
problema é deles".
Esta resposta não surpreende se pensarmos nas palavras já
entretanto proferidas pela Presidente da Assembleia da República, pessoa
que ocupa um dos mais elevados cargos da nação, presidindo à casa da
democracia.
Na qualidade de Presidente da Assembleia da República exige-se
mais contenção nas palavras, sobretudo quando o que está em causa é
precisamente o princípio da democracia portuguesa. São 40 anos que
merecem mais respeito. O problema está na ausência de cultura
democrática que perpassa parte dos dirigentes políticos do país,
sobretudo naqueles que ocupam os cargos mais relevantes.
As palavras de Assunção Esteves são, no mínimo, infelizes. Porém e
em bom rigor, mais não se espera da actual Presidente da Assembleia da
República. E o problema, também infelizmente, é nosso.
Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página. Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...
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